(Matheus Tagé/Arquivo AT) O urbanista franco-colombiano Carlos Moreno popularizou um conceito que vem influenciando o planejamento urbano em diversas cidades do mundo: a Cidade de 15 minutos. A proposta é simples, mas transformadora. Em vez de organizar a cidade em torno do automóvel e de longos deslocamentos, ela passa a ser planejada para que as pessoas tenham acesso, em até 15 minutos de caminhada ou de bicicleta, aos serviços essenciais do cotidiano: escola, unidade de saúde, supermercado, comércio, áreas de lazer, transporte público e, sempre que possível, oportunidades de trabalho. Não se trata de limitar a circulação das pessoas nem de obrigá-las a viver apenas no próprio bairro. Ao contrário: o conceito amplia a liberdade de escolha. Quem precisar atravessar a cidade continuará podendo fazê-lo, a diferença é que a dependência do carro deixa de ser regra e passa a ser uma opção. Os benefícios são conhecidos: menos tempo perdido no trânsito, menor emissão de poluentes, incentivo à caminhada e ao uso da bicicleta, fortalecimento do comércio local, ocupação mais qualificada dos espaços públicos e uma cidade mais saudável, segura e humanizada. Santos reúne condições privilegiadas para avançar nessa direção. Pela própria geografia, pela alta densidade urbana e pela diversidade de serviços distribuídos em boa parte do território, muitos moradores já vivem uma experiência próxima desse modelo. Em diversos bairros, é possível resolver boa parte da rotina diária sem percorrer grandes distâncias. O desafio está em fazer com que essa realidade seja cada vez menos uma característica de determinadas regiões e mais um padrão para toda a cidade, incluindo a área continental de Santos. Isso exige planejamento urbano consistente e investimentos permanentes na infraestrutura pública. Equipamentos de saúde, educação, cultura, esporte e lazer precisam estar distribuídos de forma equilibrada, acompanhados por calçadas acessíveis, ciclovias conectadas, arborização, segurança e transporte coletivo eficiente. O fortalecimento do comércio vem de forma orgânica, já que lojistas estão onde há público consumidor e boa infraestrutura urbana. Essa lógica também pode extrapolar os limites de Santos. Em uma região metropolitana integrada como a Baixada Santista, o conceito pode ser ampliado para uma “região de poucos minutos”, na qual a mobilidade urbana permita que pessoas circulem entre os municípios com rapidez, conforto e previsibilidade. Nesse contexto, transporte coletivo de qualidade, integração tarifária, corredores eficientes e conexões cicloviárias tornam-se tão importantes quanto os serviços de proximidade. Pensar a cidade sob essa perspectiva é, acima de tudo, colocar as pessoas no centro do planejamento. Santos já reúne muitos dos atributos necessários para ser referência nesse modelo. Com políticas públicas bem distribuídas e uma visão metropolitana da mobilidade, a Cidade de 15 minutos deixa de ser apenas um conceito para se tornar um projeto concreto.