( Reprodução ) Acerta a Receita Federal ao incluir novas rotas internacionais no rol de possíveis destinos do tráfico internacional via Porto de Santos, o maior do Hemisfério Sul, e considerado a principal porta de escoamento para o exterior da cocaína comprada de países vizinhos pelo crime organizado. Desde o dia 1 deste mês, devem ser escaneados todos os contêineres embarcados em navios com passagem ou destino a Rússia, Israel, Turquia, Geórgia, Síria, Líbano e Arábia Saudita, além de Austrália, Indonésia e Hong Kong, que já haviam sido incluídos no início do ano e foram mantidos por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União. O objetivo das autoridades é driblar as estratégias do tráfico internacional, que diversifica as rotas conforme vão ficando mais rígidas as regras de escaneamento em portos que embarcam as drogas. Até então, já passavam pelo escaneamento obrigatório as cargas de todos os navios que vão para África e Europa, destinos mais frequentes do tráfico feito a partir do Brasil. Incluir outros destinos é parte da certeza de que outros portos internacionais podem estar servindo de escalas intermediárias antes de chegar ao consumidor final. Os indícios de que essa mudança esteja ocorrendo na estratégia dos traficantes partem da constatação de que queda nas apreesões de cocaína nos últimos anos no Porto de Santos: em 2023, foram 7,1 toneladas, menos da metade do que em 2022 (16 toneladas). A tendência da organização criminosa, alegam as autoridades, é sempre variar o momento, a forma e a rota para mitigar o prejuizo com apreensões. O escaneamento de contêineres antecede a entrada dos contêineres em um dos mais de 50 terminais do porto. É uma das etapas principais antes do embarque nos navios. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A existência de organizações criminosas que usam o Porto de Santos como principal exportador de drogas já está amplamente consolidada, e o combate a essa cadeia produtiva não auxilia apenas as autoridades internacionais que lidam com o tema. É sabido que parte das figuras que compõem o organograma das facções age nas cidades da região, seja na interlocução com as zonas produtoras da droga e das armas ilícitas, seja na articulação com os destinos internacionais. Dados mais recentes sobre o potencial econômico do crime organizado indicam que as organizações criminosas movimentam por ano com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro U\$ 3 trilhões, cerca de R\$ 15 trilhõess. O valor é maior que o PIB do Brasil e representa quase 4% do PIB mundial. O Primeiro Comando da Capital, responsável pelo comando da maior parte do tráfico internacional de drogas, se posiciona como a 8ª organização no ranking mundia, movimentando mais de U\$ 500 milhões por ano. Para além de rastrear e capturar seus membros, as autoridades acertam ao desbaratar o esquema logístico dos criminosos, atingindo em cheio o que prejudica qualquer atividade produtiva, seja ela lícita ou ilícita: o caixa.