(Agência Brasil) A aprovação, pela Assembleia Legislativa, do projeto que proíbe o uso do celular nas escolas públicas e privadas, na última terça-feira, foi um acerto, principalmente porque estudos têm alertado para o impacto negativo que os smartphones causam na aprendizagem e no comportamento de crianças e jovens. Como houve consenso entre oposição e governo, a expectativa é de que a sanção ocorra para que essa nova lei entre em vigor já no próximo ano. O texto, de autoria da deputada estadual Marina Helou (Rede), detalha bem os procedimentos que as escolas deverão tomar. A proibição será válida para todo o período de permanência na escola, inclusive no recreio e intervalo das aulas. O aluno que levar o aparelho ficará com o ônus do extravio, mas cada instituição de ensino deverá criar uma forma para guardá-lo. “Canais acessíveis” cuidarão da comunicação dos pais, o que não é uma novidade. Na verdade, o projeto da Alesp se antecipou ao do Governo Federal, pois o ministro da Educação, Camilo Santana, havia prometido apresentar proposta de abrangência nacional. Mas ele acabou apoiando texto que já tramita nas comissões da Câmara. Além de São Paulo, alguns estados criaram legislação parecida, mas que não saiu do papel. Portanto, fica o alerta – será preciso acompanhar a adaptação das escolas no próximo ano. Os celulares se tornaram essenciais na vida moderna, e seu uso é muito natural para os jovens que já “nasceram” conectados à tecnologia, mas eventuais apagões de aplicativos, como o Whatsapp, mostram que ficar “desligado” algum momento traz bem-estar. Contudo, o impacto dos telefones nas escolas ganharam atenção redobrada após a Unesco consolidar estudos individuais de 14 países sobre os efeitos dos smartphones na educação – Estados Unidos, Portugal e Holanda, entre outros, já têm regras de restrição em curso. Os estudos não apontam apenas distração ou desinteresse em sala, mas revelam grandes prejuízos à aprendizagem. As pesquisas indicaram impactos na memória e na compreensão. No caso do aluno consultar o celular, um dos levantamentos revelou que o aluno levava até 20 minutos para se concentrar de novo. Um estudante com seu aparelho mesmo desligado ou ao lado de um colega que no momento tem um telefone também prejudicam as atividades de ensino. Os pais têm papel importante sobre o uso do celular nas escolas, não apenas do lado de colaborar com os professores e até exigir o cumprimento da lei. As tarefas em casa são parte importante do sucesso das crianças e adolescentes no ensino, que pode ser tumultuado pelo abuso com os telefones. Essa proibição também é uma oportunidade para refletir sobre o uso constante dos aparelhos no dia a dia, no transporte público, quando se poderia ler um livro, e nas reuniões familiares ou com amigos e até no trabalho, interferindo na concentração e no convívio social.