(Imagem ilustrativa/Priscilla Du Preez/Unsplash) Tramita no Congresso, ainda sem formatação final, proposta para tornar proibido o uso do celular nas escolas públicas e particulares de todo o País. A ideia une parlamentares e integrantes do Ministério da Educação e todos acreditam que não haverá dificuldades para aprovar um projeto de lei nesse sentido até o final do ano, prevendo que já entre em vigor em 2025. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os defensores da proposta se sustentam em pesquisas recentes que indicam o prejuízo à aprendizagem e à concentração pelo uso de celular nas escolas, e apontam que esse foi o caminho adotado por outros países, como Finlândia, Holanda, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Nesses países, ou o celular foi proibido nas escolas ou teve seu uso restringido. No Estado de São Paulo, também tramita na Assembleia Legislativa projeto semelhante, já aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, que impede o uso dos aparelhos até nos intervalos. Há muitas ponderações a serem feitas antes que proposta tão radical seja, efetivamente, colocada em prática. A primeira delas precisa ter como base o recente cenário educacional experimentado por alunos de todo o País durante a pandemia. Por mais de dois anos, celulares, tablets e computadores foram a única forma de aprendizagem para milhões de crianças e adolescentes e, para surpresa de todos, a inabilidade de transmissão de conteúdo por esse meio mostrou-se presente até mesmo na rede privada, provando que nem professores, nem escolas nem alunos sabiam lidar com a tecnologia de forma adequada. No entanto, se algum aprendizado foi passado nesse período, deve-se predominantemente pela existência dessas ferramentas. A segunda análise diz respeito ao papel educativo e formativo das escolas, que vai muito além de transmitir conteúdos curriculares, mas abarca também a vida em sociedade, a construção de um projeto de vida e a absorção de valores que vão moldar a personalidade e o caráter de crianças e jovens. Nessa linha de raciocínio, parece fazer mais sentido aprimorar os conceitos de uso equilibrado não apenas do celular, mas de todas as ferramentas tecnológicas existentes, incluindo a inteligência artificial, cada vez mais presente no cotidiano da sociedade. Investir em educação midiática de forma transversal inclui dar ao celular o protagonismo que ele já conquistou, de tal forma que seja aliado e não o vilão. É preciso admitir, porém, que o uso do celular nas escolas, assim como todos os demais ferramentais tecnológicos, precisa estar alinhado à maturidade, ou seja, deve ser bastante restrito na educação infantil e paulatinamente introduzido nos ensinos fundamental e médio, quando seu uso, inclusive, já faz parte do cotidiano de todos. Proibir o uso do celular nas escolas não ajuda em nada o necessário processo de aprendizado sobre como fazer dessa importante ferramenta um aliado não só da educação, mas de toda a formação de um indivíduo.