A força com que os carros elétricos importados da China chegaram ao Brasil neste ano embute o milagre tecnológico do país asiático misturado à tradição comercial dos chineses, especialistas em fechar negócios pelo mundo. Esse fenômeno industrial, que avança sobre os líderes tradicionais – Alemanha, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Itália, França e Suécia – também traz uma lição para o Brasil, que tem muitas dificuldades para melhorar sua produtividade e desenvolver produtos de valor agregado. Governos e empresários das economias ocidentais acusam a China de desaguar a preços artificialmente baixos o excesso da fabricação interna, visto que a demanda interna se estagnou. Entretanto, a China atingiu avanços impressionantes, superando o tempo dos carros de má qualidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De janeiro a março, segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a China exportou US\$ 2,16 bilhões em veículos ao Brasil, alta de 182% sobre US\$ 763,8 milhões em igual período do ano passado. Hoje, de cada três carros importados pelo Brasil, dois vêm da China, bem à frente da Argentina, com 11% de participação e queda de 25% sobre o primeiro trimestre de 2025. Enquanto importador da produção chinesa, hoje o Brasil é superado apenas pela Bélgica e Reino Unido, segundo a reportagem. O Brasil passou à frente até do México, que muitas vezes é utilizado como plataforma para entrar no mercado americano. Apesar da tendência de vendas chinesas volumosas nos próximos meses, é esperado que ocorra uma desaceleração. Além de cinco marcas do país asiático estarem investindo em fábricas no Brasil, em julho, a tarifa sobre os importados vai subir das atuais alíquotas de 25% e 28% para 35%. Portanto, o salto da chegada do carro do país asiático busca escapar do aumento da tributação. Antes de 2024, esses veículos eram isentos e, sob pressão da indústria nacional, adotou-se a oneração gradativa, que atingirá seu limite em julho. Em meio à expansão chinesa no setor de veículos, o Brasil continua como um importante centro de produção, com 264 mil unidades fabricadas em março, alta de 35% sobre igual mês do ano passado, e exportação de 40 mil automóveis, aumento de 21%, estimulado por compras da Colômbia. O Brasil também apresenta uma ampla cadeia de componentes da indústria automobilística, com empresas que vendem parte de sua produção para países de alta e sofisticada competitividade. Apesar do processo de desindustrialização do País, marcado pela dificuldade da indústria em geral de competir no mercado internacional, a produção nacional de veículos preserva sua relevância mundial. Mas o parque brasileiro precisa se adaptar rapidamente às mudanças tecnológicas desse segmento, principalmente porque tudo indica que a transição para o elétrico vai se acelerar, alertando que fechar o mercado ao concorrente externo é uma fórmula desgatada, que também causa atraso tecnológico.