(A Tribuna) O final da quinta-feira e o início de sexta-feira desta semana foram de caos para centenas de pessoas que saíram da Capital e pretendiam chega a Santos pelo Sistema Anchieta-Imigrantes. Uma carreta bateu em uma passarela de pedestres e derrubou toda a estrutura na altura do Km 52 da Via Anchieta, próximo à Cota 95 de Cubatão. Escombros da passarela ficaram espalhados pela Anchieta, que teve as pistas interditadas nos dois sentidos a partir das 18h50 de quinta-feira. A remoção dos destroços, da própria carreta e o restabelecimento pleno da via só ocorreram na manhã de ontem, fazendo com que o congestionamento formado chegasse a 30 quilômetros de extensão. Centenas de pessoas que se deslocavam da Capital para Santos em fretados ou veículos de passeio só conseguiram chegar a seus destinos na manhã de ontem, enfrentando não apenas o cansaço, como a falta de infraestrutura para ficarem tanto tempo a bordo dos veículos, como água, comida e sanitários. Alguns passageiros preferiram enfrentar o risco de assalto cruzando a pé os oito quilômetros da interligação com a Imigrantes, de onde partiram em veículos de familiares e amigos que já os aguardavam. A situação só não foi mais crítica porque a queda da passarela não fez vítimas e também não há relato de arrastão, situação que comumente ocorre durante congestionamentos nas estradas do País. O episódio devolve ao centro das atenções a necessidade de agilizar a terceira pista da Imigrantes, obra recentemente confirmada pelo governador Tarcísio de Freitas, a ser executada pela Ecovias Imigrantes, concessionária que atua no sistema há mais de duas décadas. O projeto prevê uma nova pista no trecho de serra com 21,5 km de extensão, compostos prioritariamente por túneis, que somam 17 quilômetros, além de 4 km de viadutos. O início dessa nova pista vai ser no km 43 da Rodovia dos Imigrantes, permitindo acesso pelo Rodoanel Mário Covas. Enquanto na Baixada Santista, a conexão será no km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao polo industrial de Cubatão. A terceira pista amplia em 145% a capacidade para descida de veículos pesados como caminhões e ônibus, além de agilizar o acesso às margens direita e esquerda do Porto de Santos. Uma obra desse porte precisa antes passar por diversas etapas, tanto de projeto como financeiras e orçamentárias, o que significa dizer que, enquanto não se corta a fita da inauguração, é preciso garantir que situações como a de quinta-feira tenha o menor impacto possível a motoristas e passageiros. O planejamento deve incluir itens mínimos de conforto e bem estar a quem está preso no congestionamento e, ainda, segurança e comunicação permanente. Não é razoável que ocorrências assim deixem centenas de pessoas literalmente ilhadas no meio da serra, e o pior: sem comunicação fluida em plena era da conectividade.