[[legacy_image_180118]] Décadas atrás, falar em comprar ou ter um carro elétrico parecia mais uma conversa de ficção científica ou de futurismo e hipóteses remotas. Investimentos em tecnologia e engenharia automotiva, associados à necessidade premente de alternativas sustentáveis para a mobilidade urbana, aproximaram o discurso fictício da realidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em janeiro deste ano, um balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores mostrou que os emplacamentos de carros elétricos registraram, em 2021, um crescimento de 257% em relação a 2020. Foram 2.860 veículos do tipo vendidos no ano passado, um salto significativo em relação às 801 unidades do período anterior. Embora o apelo da sustentabilidade seja forte e a necessidade de buscar alternativas à gasolina cada vez mais cara convidem o motorista a olhar para os modelos elétricos, entraves dificultam ou impedem um crescimento ainda maior desse segmento. Um deles é o preço final dos carros elétricos. Os modelos mais baratos custam em torno de R\$ 140 mil, podendo chegar a R\$ 500 mil nos mais luxuosos. Outro impeditivo é a insuficiência de pontos de abastecimento. Há 1.250 postos desse tipo disponíveis no Brasil, e 47% deles estão em São Paulo. Além disso, a produção de carros elétricos nacionais ainda é pequena, com boa parte dos componentes sendo importada. Faltam, também, profissionais especializados na Engenharia de Produção, elevando os custos de manutenção. Os pontos negativos, porém, são comuns quando do surgimento e crescimento de novos setores. Foi assim, por exemplo, quando nasceram as primeiras empresas de telefonia móvel, e também os veículos flex, movidos tanto a álcool como gasolina. A temática ambiental e a necessidade de encontrar fontes renováveis de energia aceleraram os processos e fizeram surgir produtos e serviços que substituem matrizes e modelos de alto impacto ambiental, carros a combustão entre eles. No universo automotivo, o segmento de carros elétricos vem ganhando velocidade, e prova disso é que, em abril deste ano, nove companhias anunciaram a formação da Aliança pela Mobilidade Sustentável, com a proposta de expandir o uso de carros elétricos no País e implementar melhorias de infraestrutura para o uso dos veículos. Uma vez equacionados os entraves que ainda existem nesse segmento, é de se esperar que haja uma substituição gradual e acelerada dos veículos movidos a combustão pelos elétricos, inclusive com opções populares, linhas de financiamento por parte das concessionárias e mercado de usados, tal qual os carros convencionais. A combustão de gasolina e óleo é um dos processos mais nocivos ao ambiente, pela emissão de gases de efeito estufa, que acirram as mudanças climáticas. Encontrar alternativas viáveis e acessíveis à grande massa da população é mitigar essa que é uma das questões mais urgentes da atualidade.