(FreePik) Cético em relação às mudanças climáticas e declaradamente contra qualquer freio à economia ou ao desenvolvimento dos Estados Unidos em nome do meio ambiente, o presidente americano, Donald Trump, anunciou sexta-feira que expedirá um decreto contra os canudos de papel ecológicos promovidos por seu antecessor, Joe Biden, e prometeu devolver os canudos de plástico ao comércio do país. Desde seu primeiro mandato e agora mais fortemente, Trump considera a transição energética uma ‘fraude’ e prometeu, desde antes das eleições, aumentar a produção de petróleo e gás. Sobre os canudos orgânicos, classificou a medida anterior como ‘ridícula’ e afirmou que os canudos de papel ‘não funcionam’. É importante notar que, embora não exista uma proibição federal sobre canudos plásticos nos Estados Unidos, vários estados e cidades implementaram suas próprias regulamentações ou restrições. A ordem executiva de Trump pode ter impacto limitado, já que a decisão sobre o uso de canudos cabe a estados e municípios. Nos Estados Unidos, são utilizados aproximadamente 500 milhões de canudos plásticos diariamente, e há uma estimativa de que existam entre 437 milhões e 8,3 bilhões de canudos plásticos poluindo os litorais ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Além do já conhecido fluxo desses materiais que, descartados inadequadamente, vão parar nos oceanos e prejudicam a fauna marinha como tartarugas, golfinhos e outros mamíferos, a decomposição do plástico gera o chamado microplástico, já encontrado no organismo humano pelo consumo de peixes e crustáceos. Em menos de um mês, Trump conseguiu o feito de anunciar uma sequência de medidas que jogam fortemente contra políticas internacionais que, de forma arrastada, vêm sendo implementadas pelo mundo contra o aquecimento global. A indústria plástica, maior impactada, também vem adotando medidas para tornar os materiais mais amistosos com o meio ambiente, desenvolvendo novas tecnologias que tornem os materiais mais biodegradáveis e estimulando ações de economia circular. O impacto maior da fala do presidente americano é ser exemplo para países e líderes mundiais que também renegam medidas contra o efeito estufa, e não são poucos os que só estavam esperando anúncios como esse para retardar medidas internas ou abandonar acordos internacionais. Nesse campo, o Brasil parece estar à frente em termos de legislação e mobilização de entidades e organismos que se abastecem da Ciência para formular políticas públicas assertivas. Por mais essa razão – e outras que podem vir em efeito cascata a partir das falas de Trump -, o Brasil terá ainda mais responsabilidade na condução dos trabalhos da Conferência do Clima, em Belém, marcada para novembro. É a oportunidade para o País liderar um movimento não só de reforço das conquistas obtidas até aqui, mas também de fortalecer ações que precisarão ser adotadas nos próximos anos.