A cinco dias do segundo turno, as campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entraram em uma disputa acirrada, com poucas opções para conquistar votos. As pesquisas da semana passada apresentaram somente 1% de indecisos no levantamento da Quaest e 2% no do Datafolha. Já a abstenção no último dia 3 foi de 21%, enquanto que a do segundo turno de 2022 foi de 20%, sem garantia de que essa fatia elevada causará alguma mudança contundente no próximo domingo. Resta, então, tentar mudar o voto dos independentes e dos menos convictos, mas, para isso, além dos ataques e da guerrilha nas redes sociais, seria necessário investir na exposição de propostas, o que menos foi feito por ambas as candidaturas. Depois do baque nos primeiros dias após o resultado do primeiro turno, a campanha petista investiu pesado nos atos de rua e nas redes sociais, uma surpresa para os coordenadores da candidatura do PL. Nesse embate final, conforme reportagem do portal g1, Lula apostou em medidas populares para virar o jogo, enquanto Flávio reforçou que manterá os programas sociais. Do lado do petista, a vantagem é ter a caneta de presidente no poder, porém, sem explicar como tantos gastos serão mantidos após uma eventual reeleição. Economistas afirmam que fazer o ajuste fiscal se tornou indispensável, mas Lula já disse que não planeja cortes. O candidato do PL, cuja equipe econômica ventilou algumas propostas, entre elas reduzir as despesas em R\$ 200 bilhões, optou por prometer que não vai reduzir os recursos de iniciativas como o Bolsa Família. No debate de domingo, Lula tentou fazer com que Flávio, admirador do presidente Javier Milei, respondesse se vai usar emprestada a "motosserra" do argentino, que respondeu questionando qual o modelo econômico do governo petista: o da "inclusão social", disse Lula. Nesse ritmo, os candidatos evitam esmiuçar o que farão em seus governos. É previsível que Lula, se eleito, manterá o foco em programas sociais, mesmo que seja obrigado a cortar gastos. Por outro lado, sabe-se que Flávio realizaria um governo pró-mercado, com austeridade, desburocratização e privatizações. Porém, ambos terão pela frente um orçamento engessado em 93% com despesas obrigatórias, como salários dos servidores e Previdência Social, e verbas carimbadas da saúde e educação. Os dois lados têm limites que muito restringirão suas realizações, que pouco se conhece a fundo. Caminhadas com dezenas e até centenas de milhares de apoiadores também não são garantia de que levarão a uma vitória mais folgada, mas suas imagens, assim como as das provocações no debate rendem cortes para usar nas redes sociais e nos programas eleitorais. Mas não geram compromisso com a divulgação das futuras agendas de governo, dificultando o eleitor na hora de cobrar cumprimento de promessas. É dessa forma que as campanhas deverão seguir até a decisão final nas urnas.