(Freepik) No acumulado do ano até este mês, o dólar subiu 16,2% em relação ao real, mas valorizou 5,2% sobre a média das divisas das demais economias emergentes, segundo a consultoria Tendências. Como o Brasil possui reservas internacionais de US\$ 372 bilhões e balança comercial (exportações menos importações) de US\$ 60 bilhões, está bem longe de ter problemas cambiais para suprir compromissos externos (importações, empréstimos, remessa de lucros e viagens). Mesmo assim, a cotação continua pressionada, atingindo R\$ 5,69 nesta segunda-feira. Juros americanos elevados, preços das commodities (produtos agrícolas e minerais) e tensão geopolítica pesaram nesse avanço. Os economistas apontam outra influência, considerada excessiva, no dólar, que é a incerteza com as contas públicas. Como a deterioração dos gastos federais tem relação com a inflação e há desconfiança com a consolidação da autonomia do Banco Central, o mercado tende a se proteger na moeda americana. Quem acompanhou o noticiário econômico deve se lembrar das análises do primeiro semestre, de que o início da queda dos juros nos Estados Unidos liberaria capitais para os emergentes. Com esse retorno de capitais, as moedas locais se recuperariam e suas bolsas também. No caso do Brasil, apesar de sinais iniciais, essa expectativa ainda não se confirmou. De fato, a divisa americana segue vigorosa por aqui. De acordo com economistas, de janeiro a maio, o dólar avançou devido às taxas de juros dos treasuries, títulos públicos dos EUA, que por pagarem mais atraíram recursos do mundo, com a vantagem adicional de serem mais seguros. Como a inflação ficou comportada por lá, as apostas se inverteram e o real chegou a reagir, mas pouco avançou. A Bolsa chegou a ensaiar retomada, ressaltando que câmbio elevado beneficia exportadores de commodities. Mas neste mês o dólar saiu de R\$ 5,44 para R\$ 5,69, alta de 4,6%. Os economistas lembram que os fatores que determinam as cotações do dólar não são apenas internos. Os impactos internacionais são decisivos, dependendo do petróleo e da relação da moeda americana com as das outras economias ricas (euro, libra e iene, por exemplo), da guerra no Oriente Médio e até da ascensão de Donald Trump nas pesquisas (por ser protecionista, causaria inflação e, portanto, juros altos). Porém, analistas acham que a política fiscal do Governo Lula está por trás dessa força da divisa dos EUA no Brasil e que, se o presidente concordar em reduzir gastos, muita dessa queda do real será revertida. O câmbio é das previsões mais difíceis que economistas tentam fazer e muitas vezes o mercado dá reviravoltas surpreendentes, mas o governo cumprir a lição de casa traz previsibilidade e resultados no médio e longo prazos. Entretanto, a política tem seu próprio ritmo, como pressão das redes sociais e eleições a cada dois anos impondo cobranças de curto prazo.