[[legacy_image_309556]] As aulas da Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, estão sendo retomadas apenas nesta segunda-feira (6), duas semanas depois do mais novo episódio envolvendo a violência extrema em ambiente escolar. Dia 23 de outubro, um jovem de 16 anos, aluno do primeiro ano do ensino médio, atirou e matou uma outra estudante de 17, deixou outros dois feridos e um quarto, que se machucou ao cair da escada durante a fuga do ataque. O autor dos disparos era vítima ostensiva de bullying, conforme relato de colegas e familiares, e visível também nos vídeos exibidos em suas redes sociais. Esse foi o 11º caso registrado no Brasil este ano, o que representa mais de um por ano. Duas semanas sem aulas representam prejuízo ao aprendizado, sim, ainda mais na reta final do ano letivo de uma escola que oferece ensino médio, como essa de Sapopemba. Certamente muitos estudantes participaram ontem do primeiro dia de prova do Enem, e outros tantos sequer tiveram condição psicológica para sair de casa e enfrentar cinco horas de avaliação. Embora sensível, esse é o menor dos prejuízos, e essa conta maior pode não ter chegado ainda, mas vale o aviso: vai chegar em forma de abalo emocional. Fórum realizado pelo Grupo Tribuna, na semana passada, abordou o bullying e sua forma mais avassaladora, o cyberbullying, como responsáveis por parte dos problemas de saúde mental e desequilíbrios emocionais de adolescentes e jovens. Como disse uma das profissionais que participaram do encontro, o bullying sempre existiu, é fato, mas hoje ele reverbera para além do ambiente escolar, porque ganha escala nas redes sociais e acompanha suas vítimas mesmo quando estão sozinhas diante de uma tela de celular ou computador. Já passou do tempo das escolas se envolverem mais com essa questão, criando espaços e oportunidades para que as vítimas de bullying possam se manifestar e buscar ajuda. O buler, como são chamados os agressores, também precisam de acompanhamento e orientação porque, muitas vezes, são igualmente vítimas de violência doméstica ou sofrem de transtornos que precisam ser identificados e cuidados. O garoto da escola de Sapopemba já havia registrado queixa oficial em abril deste ano, e o que a escola fez desde então? Mais do que criminalizar atos considerados como bullying ou cyberbullying, já que envolvem crianças e jovens menores de idade, é preciso ampliar o contra-ataque, como núcleos de educação para a paz, uso da linguagem não-violenta, justiça restaurativa e todas as demais que possam identificar vítimas e agressores, dando a eles o tratamento devido. Em geral, quem sofre bullying dificilmente manifesta as agressões para os pais ou professores, por temerem a ridicularização ou classificação como ‘mi-mi-mi’. O caso de Sapopemba e todos os outros 10 que ocorreram este ano estão aí para provar que não há mais tempo a perder. Que em 2024 as escolas retomem as aulas com programas específicos e bem estruturados que deem conta dessa quase epidemia escolar.