( Unsplash ) O ingresso de recursos estrangeiros deixou de ser um problema para o País desde que as exportações e a autossuficiência em petróleo, há duas décadas, acabaram com a falta de dólares. Por exemplo, no começo dos anos 1980, havia dúvidas se em 30 dias o Brasil teria recursos para pagar suas importações. Entretanto, nos últimos meses, as transações correntes (operações em divisas internacionais), que incluem a balança comercial (exportações menos importações), os serviços adquiridos no exterior, incluindo viagens e empréstimos, e a remessa de renda, como juros e lucros, ficaram deficitárias. As de junho tiveram saldo negativo de US\$ 2,33 bilhões. Esses resultados merecem cautela, mas essa conta não é a que mais preocupa os economistas, porque o Brasil tem US\$ 370 bilhões em reservas no Banco Central e um comércio exterior de grandes proporções. Porém, um dos componentes das transações correntes, o investimento direto no País (IDP), que considera os aportes estrangeiros na construção ou ampliação de fábricas ou ainda nos processos de fusão, tem impressionado positivamente, indicando que a economia brasileira continua atraindo negócios internacionais. Por isso, é fundamental que o Governo Federal e o Legislativo mantenham esforços para deixar as contas públicas em ordem, forma de reduzir os juros, e acelerar reformas que deem competitividade ao Brasil. Há muitas propostas nesse sentido, mas elas precisam tramitar no Congresso mais rapidamente para que o País possa atrair mais investimentos e gerar empregos. Segundo o BC, em junho, o IDP registrou US\$ 9,1 bilhões, o triplo do resultado de igual mês do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o IDP chegou a US\$ 89 bilhões, alta de 15% sobre os US\$ 77 bilhões em dezembro último e 31% acima dos US\$ 68 bilhões de junho do ano passado. Esse desempenho impressiona pelo contexto de incertezas com a guerra tarifária trumpista e os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, e com a drenagem de capitais para inteligência artificial e sua demanda por data centers e energias para operá-los. Um levantamento da Unctad, órgão das Nações Unidas para o comércio e desenvolvimento, mostra que o Brasil se tornou o quinto país mais atraente para as companhias globais. No ranking do IDP de 2025, EUA lideraram com US\$ 277 bilhões, seguidos de Singapura (US\$ 151 bilhões), Hong Kong (US\$ 116 bilhões), China (US\$ 105 bilhões) e Brasil, com US\$ 77 bilhões. Na América Latina, o único que se aproxima do Brasil é o México, com US\$ 40 bilhões, enquanto a Argentina atraiu somente US\$ 4 bilhões. O País, com muito petróleo e minerais, população numerosa sustentando o consumo em massa, estabilidade institucional e diversidade em energia, se tornou essencial para os negócios globais. Portanto, se o setor político fizer o dever de casa, o Brasil atingirá patamares mais altos de desenvolvimento.