(Padron / Adobestock) A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta semana, ao Japão e ao Vietnã ganhou importância com a guerra comercial do presidente americano Donald Trump. Com os Estados Unidos buscando um protecionismo muito amplo, resta aos países procurarem outros mercados para reduzir os impactos de tarifas elevadas sobre os mais variados importados. No caso de Brasil e Japão, o país asiático deve sofrer mais com a política trumpista, pois tem superávit comercial de mais de US\$ 60 bilhões por ano com os EUA, ficando na mira de Trump, que prometeu sobretaxar parceiros com grandes saldos e que ainda restringem os produtos americanos. Já o Brasil tem déficit com os EUA abaixo de US\$ 1 bilhão, mas não escapará de algumas restrições, com taxas já anunciadas sobre o aço e o alumínio, e aviões da Embraer e etanol na fila de alvos. Por outro lado, toda essa briga pode se tornar um presente para o agronegócio brasileiro, por exemplo, com a China ampliando a compra de soja brasileira para retaliar estados da base eleitoral de Trump. O americano causou uma grande confusão no comércio global, um dia anunciando que as tarifas serão disseminadas para o mundo e, no outro, apenas sobre alguns países. Trump demonstra interesse em negociar, desde que o desfecho seja favorável aos EUA, o que parece mais uma imposição. No fim das contas, o resultado será de perdas para o outro lado. Daí a importância dos países fecharem acordos com outras economias. Assim como a China, o Japão importa do Brasil mais commodities (produtos agrícolas e minerais) que industrializados. A comitiva de Lula tem atuado mais para abrandar as regras sanitárias japonesas, muito duras. No caso de alguma doença sobre rebanhos, um registro no Rio Grande do Sul impede um estado bem distante, como o Maranhão, de vender ao Japão. Nesta viagem, o Japão aceitou impor bloqueios apenas regionais, algo mais razoável para um país de dimensões continentais. E é possível que os japoneses autorizem a entrada de carne brasileira. Já o Vietnã, cujo café concorre com o do Brasil, mais parece uma China – vende industrializados (calçados, pneus e peças de telecomunicações) e compra produtos agrícolas. É uma das economias de maior crescimento do mundo e que pode ajudar o Brasil a depender menos do comércio muito concentrado na China. A guerra comercial de Trump aumentou as chances da conclusão do acordo do Mercosul com a União Europeia. O Brasil também deve aproveitar esse lado favorável da agressividade de Trump para buscar entendimento com Canadá e México, cujos comércios estão muito concentrados nos EUA e buscam reforçar desesperadamente as trocas com outros parceiros. O lado ruim dessa briga é que o Brasil tem problemas de competitividade e também se tornará alvo do excedente comercial do mundo todo, principalmente da China, o país que mais cresceu devido aos seus preços baixos.