(Fernando Frazão/ Agência Brasil) Com eventos paralelos já em realização, a cúpula do G20 começa para valer amanhã no Rio de Janeiro. Apesar da guinada que a eleição de Donald Trump dará à política externa e econômica dos Estados Unidos, o encontro tem sua importância mantida pelo elevado número de presidentes e premiês que estará presente, e porque as equipes diplomáticas de cada país travam negociações que na prática terão efeitos por muitos anos. Por presidir a reunião, o Brasil definiu como temas o combate à pobreza e às mudanças climáticas e uma nova governança global, centrada na revisão do poder nas Nações Unidas. O foco estará no americano Joe Biden e no chinês Xi Jinping. Os dois países se enfrentam numa batalha na qual os EUA tentam manter sua supremacia econômica e adiar ao máximo o acesso à tecnologia avançada pela China. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tanto Biden quanto Trump têm posição antichinesa, de grande impacto no Brasil, que hoje depende economicamente da China. No ano passado, o Brasil exportou US\$ 104 bilhões à China e US\$ 83 bilhões aos EUA e União Europeia somados. Além de comprar matérias-primas, a China investe em infraestrutura na América do Sul, enquanto os EUA pouco têm a oferecer, a não ser projetos decorrentes de suas multinacionais, importantes no caso do Brasil. Dos temas escolhidos pelo Brasil, não se deve esperar mudanças no Conselho de Segurança da ONU, hoje controlado pelo poder de veto das potências nucleares. No combate à fome, o Fundo Monetário Internacional (FMI) nos últimos anos tem discutido renegociar as dívidas dos países mais pobres e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nesta cúpula, prometeu destinar US\$ 25 bilhões a programas da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que será lançada pelo Brasil amanhã. A Aliança Global já tem adesão de 37 países e mais 50 deverão integrá-la. A miséria e todo tipo de mazela social devem continuar no Brasil e no mundo – não se deve iludir com algum tratado contra pobreza, mas a proposta conta com programas que poderão gerar alívios localizados ao longo dos próximos anos. Como o argentino Javier Milei vai se opor à taxação dos super-ricos, esse tema deve gerar intenso debate na cúpula. Porém, o encontro é uma oportunidade para ficar de olho nas tendências que poderão revirar a importância de certos países no mundo, como mudanças climáticas, crescimento populacional africano e decréscimo nas economias ricas, e inteligência artificial. As atuais potências devem continuar poderosas, mas a influência dos emergentes aumentará, mas de forma diluída, talvez potencializada via organismos que deem mais voz a eles do que a ONU, como Brics. Entretanto, a delimitação das forças de EUA e China é o centro de tudo, e talvez a cúpula no Rio dê mais pistas do rumo que essa nova ordem mundial tomará. Uma das dúvidas é se os EUA exigirão de países como o Brasil a opção por um lado.