Foto ilustrativa (Sílvio Luiz/ AT) A última versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra mudanças socioeconômicas que já se sabia que estavam em andamento, mas que se aceleraram nos últimos 15 anos. Por exemplo, de 2012 até o ano passado, 8,2 milhões de brasileiros passaram a viver sozinhos. Esse fenômeno, diz o IBGE, tem relação com o envelhecimento da população, com 40% das unidades unipessoais sendo ocupadas por maiores de 60 anos, reflexo da viuvez e dos filhos que saíram de casa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além disso, há uma baixa proporção de homens em relação às mulheres, que, na faixa acima dos 60 anos, é de 70 para 100 no Rio de Janeiro, sendo de 76 em São Paulo, diferença atribuída à violência urbana e acidentes que vitimam mais a população masculina, enquanto a feminina cuida mais da saúde. No quesito da propriedade do imóvel, as residências cujos moradores são donos equivalem a 60,2% das unidades, mas aumentou a participação dos que pagam aluguel – de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. Conforme o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, isso pode ter relação com a necessidade de se mudar de cidade, alugando a própria moradia para terceiros e dependendo de locação no novo endereço. Portanto, a rapidez dessas transformações exige dos governos e dos seus gestores uma pronta adaptação aos tempos atuais, como mais assistência aos idosos que moram sozinhos, frente ao risco de acidentes domésticos e problemas de saúde, como infartos. E ainda mantê-los em convívio com a sociedade para enfrentar a solidão. Por outro lado, o IBGE mostra que programas habitacionais de compra da casa própria não bastam. É preciso desenvolver serviços mais baratos para a locação, como fiança, e estimular a construção para essa modalidade, assim como atender os mais pobres, criando alternativas para a necessidade de mudar de cidade por fins de trabalho. As linhas de locação social, com as quais há um limite ao comprometimento da renda com o aluguel e são voltadas para a baixa renda, ainda são incipientes e muito pouco exploradas pelo setor público. Áreas degradadas, desde que sejam modernizadas, são ideais para esse fim, com potencial para renovar o Centro de municípios médios e grandes. A pesquisa também apontou que o total de brasileiros que se consideram pretos subiu de 7,4% em 2012 para 10,4% no ano passado, enquanto os pardos ficaram estáveis (de 45,5% para 45,8%). Além da miscigenação, os pesquisadores acham que essa mudança se deve à conscientização racial. Portanto, os políticos devem se preparar para a cobrança por programas sociais e educativos e mais combate ao racismo, o que é mais do que justo. Por fim, o IBGE presta um grande serviços ao País, revelando transformações rápidas, em sua maioria relacionadas ao envelhecimento e ao acesso à tecnologia, como aplicativos, e as novas demandas precisam ser atendidas.