(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) A projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com o Brasil, hoje a décima maior economia do mundo, subindo para o oitavo lugar no próximo ano, ganhou destaque no debate eleitoral nas redes sociais. A previsão foi utilizada pelos aliados do presidente Lula, afirmando que não tem sentido questionar sua gestão, pois o País vai até ascender no ranking dos dez principais PIBs. Alguns fatores beneficiam o Brasil, que foram considerados na análise do FMI, como o impacto da energia. O País ampliou sua produção de petróleo, exportando muito mais e faturando com a subida do preço do barril devido ao conflito não oficialmente encerrado no Oriente Médio. Saíram perdendo os europeus e as outras nações que importam o produto. Portanto, trata-se de uma condição do momento e, se a guerra for definitivamente encerrada, o preço do petróleo deverá recuar, com o Brasil exportando menos. A projeção do FMI, referindo-se ao contexto do crescimento global, não se resume a esse contexto da energia. A instituição diz ainda que a inteligência artificial gera muito crescimento, privilegiando Estados Unidos, China e Coreia do Sul, com negócios nessa área. Mas há reveses, com inflação mundial de quase 5%, estimulada pela alta do petróleo, e de que os governos planeta afora ampliaram seus gastos, mantendo-se deficitários. E que adotam paliativos para reduzir o impacto do custo de vida no bolso dos cidadãos. O FMI diz ainda que, se as despesas públicas não forem ajustadas, o mercado o fará, subentendendo-se que vai exigir juros mais altos para financiar as dívidas dos respectivos países. Assim, o retrato do Brasil está muito parecido com o de boa parte do planeta, mas com a diferença de que aqui os juros são mais altos, inflando a dívida pública. Contudo, não se deve se acomodar com o Brasil em oitava posição entre os maiores PIBs, porque sua colocação se dá porque muitos países ricos perderam vigor perante o custo da energia ou ficaram para trás, porque EUA e China avançaram mais rapidamente. De fato, o Brasil tem mantido uma sequência de crescimento, mas muito moderada, de 1% a quase 3% ao ano, mas, quando avança mais do que isso, a inflação acorda, os juros sobem para contê-la, e vem a desaceleração de novo. A Índia é o grande destaque da projeção do FMI. O país é o que mais sobe no ranking, possivelmente se tornando o terceiro maior PIB em 2031. O Brasil, por sua dimensão territorial, riquezas minerais e agropecuárias e elevada população, tem perfil parecido ao de EUA, China e Índia, mas não dá sinal de que se aproximará dos três. Aliás, o crescimento brasileiro tem sido inferior até em relação ao de outros asiáticos, como Vietnã, Indonésia, Taiwan e Singapura, indicando falta de competitividade. Além de ter que baixar os juros, o que depende de ajuste fiscal, é preciso investir em infraestrutura e no ensino para conseguir acompanhar os emergentes da Ásia.