Ao mesmo tempo em que brigam no comércio e na política, Brasil e Estados Unidos têm problemas similares com dívida pública, inflação e taxas de juros. Mas há um detalhe nessa comparação que faz toda a diferença – no Brasil, as deficiências são mais graves e, a partir dos anos 1970, as instabilidades foram assombrosas em várias ocasiões. Por isso, entender a conjuntura atual dos EUA é um caminho para ficar ainda mais atento às contas públicas nesta campanha eleitoral. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As duas economias têm uma relação altamente complementar. Além disso, os indicadores dos EUA preocupam pelo gigantismo da economia americana e por sua capacidade de influenciar os mercados mundiais, inclusive o brasileiro. Não há nenhum risco de colapso no horizonte, mas se o país do presidente Donald Trump enfrentar uma crise grave ou registrar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais moderado do que se previa, o Brasil vai sentir por ser um destino de capitais dos EUA. A preocupação com os EUA está centrada no endividamento público, com dois fatos desse tema sendo registrados na quarta-feira. O primeiro deles foi a dívida federal ter atingido a marca histórica de US\$ 40 trilhões. Além de seu tamanho impressionante, ela avançou rapidamente, dobrando durante os mandatos de Trump e do democrata Joe Biden. Enquanto o republicano acrescentou US\$ 11 trilhões a essa bola de neve, Biden colaborou com US\$ 8 trilhões. No caso de Trump, suas políticas populistas estão por trás do problema, como reduzir os impostos para ganhar eleições. A ideia é transformar recursos dos tributos em investimentos. Com a expansão da economia, a arrecadação também aumentaria. Contudo, o governo dos EUA continua gastador, ainda mais com o conflito que se arrasta no Oriente Médio. Também na quarta, o Tesouro dos EUA decidiu dobrar a recompra média de treasuries (títulos públicos) de vencimento mais longo. Essa estratégia os deixa mais caros, estimulando a venda porque as taxas de rentabilidade caem. O Tesouro optou por isso porque, assim como no Brasil, o mercado passou a exigir juros maiores. Aliás, no Brasil há uma grande discussão sobre eventual intervenção similar do Banco Central para conter a pressão por mais juros. O anúncio dessa medida nos EUA, na quarta, teve impacto mundial. Como essas operações vão liberar recursos que estavam parados nos treasuries, os mercados se anteciparam, derrubando o dólar e levando à alta das bolsas, inclusive em São Paulo, das criptomoedas e do ouro. Não somente no Brasil e nos EUA, mas no Japão e em outros países, o endividamento público gera incertezas, paralelamente às guerras, tarifaço e inflações resistentes. Para o Brasil não se trata de vantagem, porque aqui a atração de estrangeiros se dá pelos juros muito altos. Com tais taxas nesse patamar, não há como a atividade produtiva e o consumo crescerem estavelmente.