[[legacy_image_322798]] O mais importante estudo do desemprego, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trouxe resultados robustos na métrica do trimestre de setembro a novembro. Além da taxa de 7,5%, a melhor desde fevereiro de 2015, quando a recessão do Governo Dilma Rousseff passou a devastar o mercado de trabalho, a Pnad mostrou a criação de 853 mil empregos e menos 209 mil desempregados. Houve ainda expansão da renda de R\$13,8 bilhões em um ano – isso indica que apenas com salários ocorreu uma injeção dessa cifra na economia, o equivalente à alta de 4,8% da massa salarial sobre igual período do ano passado. O mais animador é que o IBGE apontou que a expansão do emprego não se deve apenas a serviços e comércio, até então uma retomada associada a segmentos de menor renda ou afetados pela pandemia. Indústria e construção, setores marcados por empregos de melhor qualidade (registro em carteira e com benefícios sociais) e boa remuneração passaram a reduzir ainda mais os dos desemprego. Há um ano, os economistas previam, em média, que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria no máximo 1%, mas o ano termina com efetivos 3% (a serem confirmados, mas que dificilmente sairão diferente desse nível). Muita exportação e pouca importação, razoáveis cotações de commodities, o Brasil extraindo muito petróleo e entrada de muitos recursos públicos pelo Governo Lula deram um empurrão no PIB, assim como o mundo colaborou não se retraindo como esperado. Inflação bem controlada e queda dos juros completaram esse quadro, que fez o País crescer mais rapidamente. Em 2024 será mais difícil reduzir os índices de desemprego, porque no Brasil eles não ficaram inferiores a 6%, pelo menos nos últimos tempos –desde 2012, o menor nível foi de 6,3%, em dezembro de 2013, segundo o IBGE. Porém, será possível melhorar a qualidade dos postos de trabalho. A Pnad Contínua leva em conta os formais e informais (com e sem registro em carteira) e neste meio tem muita gente atuando por aplicativos ou empreendendo porque não conseguiu uma ocupação. Se houver realmente uma recuperação mais forte, o País enfrentará o gargalo da falta de qualificação dos trabalhadores, um problema recorrente toda vez que a economia avança com rapidez. Portanto, o investimento no ensino, o que inclui o profissionalizante e o de cursos rápidos de aperfeiçoamento, é urgente, pois tem relação direta com a eficiência dos meios produtivos brasileiros. A melhora do mercado de trabalho é fundamental para disseminar e aprofundar um processo de prosperidade no País. Por meio do aumento da renda individual, combate-se o endividamento e se estimula o consumo, o que faz a indústria crescer, assim como outros setores, fazendo o PIB acelerar de uma forma mais sustentável, sem gastos estatais excessivos,por exemplo.