[[legacy_image_176243]] Quando se fala em Maio Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a segurança no trânsito, as ações que logo vêm à pauta são a combinação de álcool e direção, o respeito à sinalização e limites de velocidade, uso de capacete por motociclistas e cuidado nas estradas, especialmente em finais de semana prolongados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pouco ou nada se fala sobre o uso da bicicleta, que cada vez mais se torna o meio de transporte de famílias e milhares de trabalhadores. Os números comprovam: a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas aponta um aumento superior a 30% nas vendas de bicicletas no ano passado. O cenário fica ainda maior e mais claro com o incremento de outra variante, a bicicleta elétrica. Com o preço da gasolina nas alturas, muitos trabalhadores optaram pelas e-bikes, como são chamadas, o que fez as vendas dispararem: no ano passado, houve aumento de 27,3%, ou 40.891 unidades vendidas a mais, em relação ao ano anterior. Seja pela facilidade de locomoção, valor menor em manutenção ou consciência ambiental, fato é que as bicicletas convencionais e as e-bikes devem, sim, ser consideradas veículos e, portanto, entrar na lista de políticas públicas nos quesitos segurança no trânsito, obrigações por parte dos ciclistas, investimento em ciclovias e na integração destas com outros modais. A Baixada Santista tem 324 quilômetros de ciclovias implantadas. Dos nove municípios, destacam-se Praia Grande, com 99 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, Guarujá, com 70 quilômetros distribuídos na orla das praias e nas principais avenidas, e Santos, com 57,4 quilômetros em 32 pistas, que cortam toda a extensão da orla, os canais e algumas das principais avenidas, incluindo a Zona Noroeste. São números relevantes e é importante destacar o papel da Associação Brasileira de Ciclistas, Skate, Patins e Cadeirante, que desenvolve trabalho incansável de estímulo à ampliação das ciclovias e ciclofaixas, e por uma política de mobilidade cicloviária na região. Apesar do crescimento expressivo de ciclovias na Baixada Santista, ainda há deficiências severas na integração dos modais, na extensão para regiões carentes e com baixa infraestrutura e na manutenção permanente das pistas. Usuários de bicicletas não são apenas os eventuais, de final de semana, que pedalam como passeio e lazer. Hoje, a bicicleta é meio de transporte de centenas de milhares de trabalhadores, e a melhor imagem para ilustrar essa certeza é que se vê nas primeiras horas do dia, na travessia de balsas entre Santos e Guarujá, ou transitando pela ciclovia da orla de Santos. O cenário de crescimento já justifica uma série de ações para garantir a segurança de ciclistas e motoristas de outros veículos, a implantação de itens obrigatórios de proteção, como capacetes, e também a responsabilização daqueles que trafegam por ciclovias e demais vias de forma abusiva e irresponsável. Estimular o uso da bicicleta é fator positivo para o meio ambiente, para a saúde e para a economia familiar.