[[legacy_image_132616]] Ainda que muitos integrantes dos meios político e financeiro estejam aliviados com as notícias de que a variante Ômicron não tem causado sintomas graves, para cientistas essa cepa continua ameaçadora. A grande preocupação é com a possibilidade dela burlar a proteção criada até agora pelas vacinas. Essa ameaça precisa ser melhor investigada, pois ela pode anular toda uma estratégia mundial de imunização. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Enquanto as respostas mais confiáveis não chegam, é fundamental trabalhar com as armas que se tem – primeiro, acelerar a vacinação nos países em que há amplas fatias de não imunizados, como na Europa e Estados Unidos, que têm intenso intercâmbio com o mundo e, portanto, potencialmente transportam o vírus mais vezes. A África também é prioridade – seus países mais pobres sequer passaram da cobertura completa de 10% de suas populações. A partir daí, convém investir em medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias e costumeiramente adotadas para reter o espalhamento de vírus e bactérias nas grandes epidemias. No caso atual, essas estratégias se tornam essenciais. O anúncio do governador João Doria de exigir a comprovação da vacina de todos os passageiros que entrarem pelos aeroportos paulistas e o Porto de Santos – isso se o Governo Federal não a adotasse até o dia 15 – reabriu o embate entre o tucano e o Palácio do Planalto. O confronto político pode até interessar para articuladores das candidaturas da disputa eleitoral do próximo ano, mas isso é totalmente dispensável no âmbito da luta contra a doença. Apesar da demora pela decisão, o Governo Federal começa a cobrar amanhã dos viajantes que chegam por via aérea o comprovante de vacinação e teste negativo – sem essas exigências, o passageiro terá que fazer quarentena de cinco dias. Para o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), será “impossível” fiscalizar o isolamento,mas o Ministéiro de Saúde terá que garantir essa medida. De forma alguma é possível ficar de braços cruzados perante o espalhamento mundial da Ômicron, que há uma semana estava identificada em alguns países e agora é encontrada em pelo menos 40. Por isso, a retenção de não vacinados é uma política importante. Os dois franceses que chegaram a Ribeirão Preto em 13 de novembro para trabalhar em uma indústria servem de exemplo dos riscos sanitários. Dois dias depois, médicos descobriram que ambos estavam com covid-19 – um deles foi internado em estado grave e o outro ficou isolado sem sintomas. O mais preocupante é que eles não tinham tomado a vacina na França, uma prova de como o Brasil está vulnerável e que o descuido pode resultar em efeitos devastadores. Por sorte, o contágio se deu pela Delta, uma variante de fácil contaminação, mas com efeitos mais conhecidos. A covid-19 já mostrou que demora, planos malcosturados e imprudência favorecem a disseminação do novo coronavírus e suas variantes.