De janeiro até 24 de outubro, a balança comercial (exportações menos importações) registrou US\$ 68,1 bilhões. Trata-se de uma vitória para o País, que enfrentou um dos piores tarifaços do Governo Trump e as adversidades impostas pelas guerras da Ucrânia e do Oriente Médio, que prejudicaram o comércio global com aumento dos fretes e da inflação mundial. Com esse bom desempenho, o Governo Federal estima um saldo de US\$ 84 bilhões neste ano, enquanto a previsão média do mercado financeiro está em US\$ 80 bilhões. Como falta computar novembro e dezembro e o País tem registrado US\$ 7 bilhões ao mês desde agosto, será possível atingir pelo menos US\$ 80 bilhões. Entretanto, a balança comercial prevista para este ano, que poderá ser a segunda maior já registrada (a maior foi a de 2023, de US\$ 98 bilhões), tem uma forte conexão com as políticas desastradas do Governo Trump. A principal delas foi a tarifária, que fez o Brasil buscar novos mercados – neste atual governo já são 700. Além disso, o Brasil é uma das economias que mais ganharam com a guerra no Oriente Médio, com o petróleo ficando acima de US\$ 100 de 9 a 18 de setembro e desde 1º de outubro. Isso turbinou as receitas da Petrobras, beneficiada pela busca insana de grandes economias por produtores alternativos devido ao fechamento dos fluxos dos navios nos estreitos de Ormuz e do Mar Vermelho. Há ainda um efeito paralelo positivo ao Brasil ligado também ao tarifaço e ao conflito. Com aumento des preços dos alimentos e dos insumos, os EUA suspenderam as tarifas sobre diversos produtos do Brasil, como café, carnes e suco de laranja. Além disso, o dólar reduziu sua queda no mercado mundial e teve uma recuperação neste ano, beneficiando os exportadores brasileiros. A busca por novos mercados também ajuda a reduzir a dependência de grandes compradores. Neste ano, o saldo com a Argentina encolheu 18,5%, reflexo da política econômica do Governo Milei, e recuou 6,5% com os EUA, resultado do tarifaço. Porém, houve uma alta de 12% para a China, avanço associado ao petróleo - os chineses compram da exportação da Petrobras. Com a União Europeia, houve um salto maior ainda, de 20%, efeito do acordo de livre-comércio, inaugurado em maio. Houve ainda outros parceiros que passaram a importar mais do Brasil - Índia, México, Canadá, Singapura e Chile. Apesar de todas essas boas notícias, o excelente resultado da balança brasileira está associado a fatores que podem não se repetir no próximo ano ou perder força, como a guerra no Oriente Médio e o tarifaço. Em meio a isso, o País ainda faz negócios mediante muita burocracia e uma infraestrutura carente de investimentos, além de muitas empresas não conseguirem exportar devido ao endividamento e baixo conhecimento sobre comércio exterior. Por isso, é preciso corrigir as falhas para evitar uma reversão desse saldo nos próximos anos.