Em mais uma edição das Estimativas da População, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que continua a impressionante queda demográfica do País. Essa rápida desaceleração exige amplas mudanças na Previdência Social, na oferta de mão de obra e nos serviços públicos, como o Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, a classe política parece não perceber as novas demandas da sociedade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudo do IBGE, feito com base no Censo 2022, com projeção para 1o de julho último, apontou que o Brasil tem 214,2 milhões de habitantes, com crescimento anual de somente 0,37%, inferior ao 0,52% da década passada e de 1,63% nos anos 1990 e muito menos do que os 3% da década de 1950. O recuo tem a ver com a queda do número de filhos por família, entre outros motivos. Porém, o que chama a atenção é o rápido envelhecimento, reflexo dos avanços da Medicina e de melhores condições de vida, apesar do fracasso do País de reduzir a favelização. Dessa forma, os governos precisam investir mais em serviços para os idosos, desde programas para manter uma vida mais ativa, como atendimento de saúde e programas habitacionais para essa faixa etária. Apesar do baixo crescimento populacional, a migração continua em ritmo acelerado pelo País, notadamente para regiões do agronegócio. Simultaneamente, Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Belém (PA) registraram recuo de moradores, enquanto Rio de Janeiro, Porto Alegre (RS) e Maceió (AL) ficaram estagnadas. Na verdade, as cidades centrais das metrópoles, inclusive Santos, pararam de crescer, enquanto algumas das outras cidades da mesma região metropolitana, com imóveis a preços acessíveis, atraíram moradores. Entre os estados, São Paulo, que liderou em migração desde o fim do século 19, agora vê sua população crescer somente 0,21% ao ano. Já onde há agronegócio de alto nível, como Mato Grosso, Goiás e Tocantins, o aumento foi, respectivamente, de 1,46%, 0,96% e 0,58%. Mas o destaque é Santa Catarina, com expansão de 1,54%. O estado oferece uma indústria diversificada e competitiva, assim como agroindústria de expressão nacional. A diferença em relação a outros estados é que Santa Catarina não tem grandes metrópoles, com cidades médias e até pequenas sediando empresas de porte considerável. Com qualidade de vida, baixos índices de violência e uma expansão imobiliária impressionante, Santa Catarina atrai migrantes de vários estados e também venezuelanos e africanos. Se de um lado o perfil etário dos brasileiros e o fluxo migratório mudaram bastante, por outro a desigualdade continua no País, com mazelas sociais principalmente nas médias e grandes cidades e pobreza nos municípios onde o agronegócio de ponta não chegou. São dois Brasis, cujo futuro depende de melhora no ensino e na saúde e muito investimento em infraestrutura para todo o País se conectar e desenvolver em conjunto.