O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano, mantendo a expectativa de expansão anual de 1,9%. O desempenho brasileiro foi o quinto melhor do mundo, de abril a junho, considerando os 49 países que já divulgaram suas taxas. O Brasil superou todas as economias de grande porte, como Estados Unidos (0,4%), Alemanha (0,1%), Reino Unido (0,1%) e Itália (zero). Nesse ritmo, o País será a décima maior economia no fim do ano, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) - hoje é a 11ª. O desempenho segue positivo e até impressiona, considerando os juros básicos de 14% e incertezas com o tarifaço e a guerra no Oriente Médio. Entretanto, os economistas concluíram que esses dados indicam uma desaceleração. Tal conclusão se deve a apenas um componente do cálculo do PIB, a categoria do consumo das famílias, a única que caiu, registrando –0,6%. Para os analistas, o consumo das famílias sentiu o impacto dos juros altos e do endividamento da população e das empresas. A conclusão é que o custo elevado do dinheiro atenuou o impacto dos estímulos lançados desde o ano passado pelo Governo Lula para aquecer a economia. O problema é que todo esse investimento público foi sustentado pelo aumento dos gastos, que traz duplo impacto: eles injetaram muitos recursos no consumo, pressionando a inflação e forçando o Banco Central a manter a Selic nas alturas por mais tempo. Em consequência, o saldo das dívidas acabou crescendo mais. Dessa forma, a expectativa dos especialistas é que a economia desacelere mais, mas sem chegar à recessão, pelo menos neste ano. Já os serviços cresceram 0,2% e a indústria, 0,1%, com destaque para um de seus segmentos, o extrativismo. Ele teve alta de 3,4%, puxada pela produção de petróleo, beneficiada pela subida dos preços do barril desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro. O melhor desempenho de todas as contas do PIB ficou mesmo com a agropecuária, com avanço de 2,8%, liderado pelo café, soja e carnes. Devido ao gigantismo que atingiu, o agronegócio geralmente garante um melhor desempenho de todo o PIB no primeiro semestre do que no segundo, devido à concentração da colheita nesse período do ano. Como o clima colaborou e muito menos houve quebra de safra, os números do setor vieram em excelente nível. Apesar do pessimismo que o endividamento e os juros altos geram na sociedade, os números indicam que a economia segue avançando de forma moderada. No contexto global, o Brasil vai bem porque o mundo está crescendo menos devido à alta do petróleo e da dificuldade da China de manter seu rápido desenvolvimento. Entretanto, o Brasil se revela mais uma vez preso a uma expansão anual de até 2% ao ano, fenômeno que se repete há quase duas décadas com alguns períodos de recessão. Infelizmente, essa ineficiência segue fora do debate das eleições.