A escalada da inflação não preocupa atualmente no Brasil. Ela segue controlada e baixa, e não houve efeitos significativos diante de alguns eventos recentes, como a elevação do preço da carne ou a alta do dólar, que se reflete no preço dos produtos importados. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de novembro, que é considerado uma prévia da inflação oficial, registrou uma variação de 0,14% no mês, inferior à média que era prevista pelas instituições financeiras, fixada em 0,17%. Embora mostrando leve aceleração em relação à taxa de outubro (0,09%), foi o menor resultado para o mês de novembro desde 1998. No ano, o IPCA-15 apresenta variação de 2,83% e, em doze meses, 2,67%. O mercado avalia que o cenário para a inflação continua positivo, mas isso está ligado à fraca demanda e a elevada capacidade ociosa das empresas. A economia brasileira tem dado sinais de recuperação um pouco mais firmes nos últimos meses, mas ainda não há pressões inflacionárias. Há previsão de alta na taxa em novembro e dezembro, mas ainda assim a expectativa é que o IPCA feche o ano com variação de 3,6% (estimativa que aparece no Boletim Focus, do Banco Central), abaixo da meta oficial, de 4,25%. É certo que este será o terceiro ano consecutivo em que a taxa de inflação resulta inferior ao fixado pelo Banco Central. Não há dúvida que o controle inflacionário é fundamental para a estabilidade econômica. É impossível o desenvolvimento das atividades em um ambiente de elevação excessiva de preços, como demonstra a história brasileira. E devem ressaltadas as terríveis consequências para a população, notadamente aquela de baixa renda, que sofre diretamente com a majoração dos preços dos produtos básicos. Não se pode perder de vista, porém, que os bons resultados obtidos até aqui refletem uma situação de baixo crescimento. A demanda dos consumidores segue baixa, a taxa de desemprego é alta. Além da desocupação elevada, grande parte das vagas tem surgido no mercado informal: são empregos de pior qualidade, que deixam o consumidor mesmo confiante para gastar. Especialistas alertam que a baixa inflação reflete uma economia ainda travada, que acaba por segurar os preços. É fato que a inércia inflacionária (com reajustes automáticos e periódicos) tem sido reduzida em função da estabilidade prolongada, mas é preciso atenção ao fenômeno. O IPCA contido traz vantagem: permite que o Banco Central continue a trajetória de corte de juros, devendo mantê-los baixos por um tempo considerável. A aposta é que a taxa básica, a Selic, hoje em 5% ao ano, terminará 2019 em 4,5%, e poderá chegar a 4% em 2020. Não há preocupações imediatas, mas exige-se cuidado com a inflação. Os dramas anteriores são alerta para que se evitem novos surtos, que podem paralisar o País.