Os resultados do Ideb 2025, divulgados pelo Ministério da Educação na última semana, oferecem à Baixada Santista um leque de análises importante sobre os avanços registrados e os desafios que vêm pela frente. Os dados positivos observados nos anos iniciais do Ensino Fundamental demonstram que políticas educacionais consistentes produzem resultados. Ao mesmo tempo, a perda de desempenho à medida que os estudantes avançam em sua trajetória escolar expõe um problema que precisa estar em lugar prioritário nas agendas das prefeituras e do Governo do Estado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sete dos nove municípios melhoraram seus índices nos anos iniciais. Bertioga chegou a 6,6, melhor resultado da Baixada, seguida por Itanhaém, com 6,3, enquanto Santos e Praia Grande alcançaram 6,1. É uma evolução que merece reconhecimento, especialmente porque uma boa alfabetização e a aprendizagem adequada nos primeiros anos são condições indispensáveis para todo o percurso educacional. Nos anos finais do Ensino Fundamental, porém, cinco municípios recuaram, dois permaneceram estáveis e somente Santos e Mongaguá avançaram. Santos apresentou o melhor resultado regional, com 5,2. A dificuldade em sustentar o desempenho entre o 6º e o 9º anos não pode ser tratada como um problema secundário. É nessa etapa que se prepara o aluno que, poucos anos depois, estará diante de decisões determinantes. Ao concluir o Ensino Médio, esse jovem deverá ter condições de disputar uma vaga na universidade ou optar por uma formação técnica e profissionalizante que lhe abra as portas do mercado de trabalho. Para qualquer desses caminhos, domínio da língua portuguesa, matemática, capacidade de interpretação, raciocínio crítico e autonomia são requisitos básicos. A responsabilidade por garantir essas condições é do poder público. Prefeituras e Estado precisam compreender que melhorar os anos finais exige políticas específicas: professores valorizados e qualificados, acompanhamento permanente da aprendizagem, recuperação das defasagens, combate à evasão e programas capazes de aproximar a escola dos interesses e das perspectivas profissionais dos adolescentes. Essa discussão é ainda mais estratégica na Baixada Santista. A região concentra atividades econômicas de enorme relevância e passa por transformações que exigirão mão de obra cada vez mais preparada. Porto, logística, construção civil, saúde, turismo, tecnologia e serviços oferecem oportunidades, mas elas não serão plenamente aproveitadas se os jovens saírem da escola sem a formação necessária para ocupá-las. O Ideb não deve servir apenas para produzir rankings a cada dois anos. Sua principal utilidade é revelar onde as políticas funcionam e onde precisam mudar. A Baixada demonstrou que consegue avançar nos primeiros anos. O desafio agora é impedir que parte desse ganho se perca no caminho.