[[legacy_image_358908]] O fenômeno do crescimento da exportação de commodities (produtos agropecuários e minerais com preços definidos em bolsas internacionais), como o economista Ricardo Amorim destacou na última quarta-feira no Seminário Internacional do Café, em Santos, não é recente. Mas se especulou que esse comércio perderia força a partir da pandemia ou com a desaceleração dos países ricos devido à inflação e o resfriamento da China. Os preços desse produtos realmente recuaram, porém, as quantidades continuam acentuadas, favorecendo o agronegócio e mineradoras. Entretanto, Amorim alertou que esse vigor exportador é um “bilhete premiado” se o Brasil evitar “erros” que possam queimá-lo. Já há diagnóstico sobre tais falhas, como infraestrutura insuficiente para transportar as mercadorias, falta de financiamento, burocracia e carga tributária elevada, que não será resolvida pela reforma. Há ainda um problema agora mais evidente que é o risco climático, com chuva ou seca destruindo plantios e colheitas e inviabilizando sistemas de transporte. No ano passado, as commodities já demonstraram seu vigor com uma balança (exportações menos importações) de quase US\$ 100 bilhões. Nessa conta, que considera todos os produtos comercializados, inclusive industrializados e serviços, a soja e o minério de ferro foram os destaques. Contudo, apareceu outro produto, o petróleo, do qual, nos anos 1980, o Brasil era altamente dependente da importação e, por isso, as contas externas estavam sempre no centro da crise econômica. Esses três itens, assim como o café, são commodities. Apesar dessa pauta expor o País ao comportamento das cotações do mercado internacional, há pelo menos uma diversificação, o que não é comum em muitas economias com essa característica. Há ainda um importante efeito dessa máquina exportadora e de seu superávit comercial elevado, que é o ingresso constante de dólares, funcionando como um colchão contra a disparada do câmbio. Como lembrou Amorim, esse contexto ajuda a reduzir a inflação e as taxas de juros, estimulando o consumo e os investimentos.Basta observar que os combustíveis têm seus preços definidos tanto pela cotação do petróleo como da moeda americana (isso se o governo não segurar os aumentos, queimando receita da Petrobras). Como o Brasil é altamente dependente do modal rodoviário, eventuais reajustes do diesel e da gasolina causam reflexos inflacionários por toda a economia. Por outro lado, as ineficiências do País aparecem na própria balança comercial, como é o caso da indústria, que há décadas não consegue competir para exportar e nos últimos anos passou a encolher devido às importações baratas. Ao invés do estímulo fiscal e de eventuais barreiras comerciais, o governo precisa modernizar o setor, um trabalho que leva longos anos para ter resultados e que traria grandes reflexos para a economia paulista.