[[legacy_image_347415]] Transtorno do neurodesenvolvimento que afeta comportamento, comunicação e linguagem, o autismo atinge um número cada vez maior de crianças e adultos, muitos deles diagnosticados recentemente devido ao avanço das pesquisas e dos trabalhos científicos. Por isso, é de se elogiar a ampliação do atendimento da Clínica-Escola do Autista de Santos. De acordo com a Prefeitura, o aumento do atendimento foi viabilizado graças à extensão do horário do local, que passa a receber pacientes também das 17 às 21 horas. Em atividade desde 2020, o serviço, o primeiro no Brasil a ser oferecido totalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não lida apenas com pessoas com autismo, mas também oferece suporte às famílias, que participam de grupos para trocar experiências e receber orientação sobre o acompanhamento das atividades a serem desenvolvidas em casa. Outra novidade da clínica é a terapia realizada com os cães da Guarda Civil Municipal (GCM), a cinoterapia, que ajuda no desenvolvimento das interações sociais a partir da interação com o animal, os colegas e o terapeuta. Iniciativa igualmente merecedora de reconhecimento é a sala inclusiva do Santos Futebol Clube. Em fase de conclusão, instalado junto às arquibancadas da Vila Belmiro, o espaço permite que pessoas com deficiências variadas possam assistir aos jogos com suas famílias. Projetada para receber brinquedos, menos pessoas e menos barulho, a sala tem as características necessárias para incluir aqueles que teriam dificuldade de se instalar nos demais espaços do estádio. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), existem aproximadamente 70 milhões de autistas no mundo e 2 milhões no Brasil. Pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos indicam que uma em cada 36 crianças possui características de autista. Por isso, toda a atenção destinada aos pacientes é mais do que necessária e indispensável. O crescimento de casos não tem motivação biológica. Para os especialistas, a melhora no diagnóstico é a explicação. Nos Estados Unidos, o aumento de registros entre minorias, como asiáticos, latinos e negros, evidencia que o diagnóstico está chegando a essas populações, antes excluídas. A longo prazo na maioria dos casos, o tratamento do autismo passa por terapias mais convencionais, como fonoaudiologia, terapia ocupacional (TO) e psicoterapia, até outras mais novas e diversas, como musicoterapia, skateterapia e equoterapia – serviço este que, por sinal, tem na Associação Equoterapia de Santos uma referência. Ao montar e lidar com cavalos ao lado de adestradores e psicólogos, os pacientes desenvolvem habilidades e evoluem em pontos fundamentais da vida cotidiana. Tratamento à parte, nada substitui a compreensão e a empatia por parte da sociedade. Com suas particularidades, o autista tem direito a uma vida sem diferenças.