(Tânia Rêgo/Agência Brasil) A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, surpreendeu o mercado financeiro na última terça-feira ao prometer austeridade na estatal, como reação à queda da cotação do petróleo. Sua fala, que destoa do discurso pró-gasto público do Palácio do Planalto e do PT, foi considerada por analistas um dos motivos do recorde do Ibovespa no fim do dia. Também pesaram no desempenho da Bolsa a trégua de 90 dias da guerra comercial entre China e Estados Unidos e a ata do Banco Central, cobrando mais cuidado do governo com as contas públicas. Pelo jeito, apenas o núcleo político da gestão federal resiste ao rigor fiscal, lembrando que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, segue isolado nesse objetivo. A Petrobras divulgou na última segunda o balanço do primeiro trimestre, revertendo o prejuízo de R\$ 17 bilhões do fim do ano passado. Com lucro de R\$ 35 bilhões de janeiro a março, a empresa foi beneficiada pela variação do dólar no encerramento do período, de alta de 7%. Mas o problema da estatal é a volatilidade do barril do tipo Brent, que rondou os US\$ 60 pela expectativa de aumento de produção e recessão mundial, ou pelo menos desaceleração, como efeito da guerra comercial. Houve uma recuperação parcial do preço do Brent nos últimos dias, mas as incertezas no comércio internacional deixaram esse mercado, assim como outros segmentos da economia, em situação muito frágil. A preocupação da Petrobras é que o barril recuou de US\$ 80 em 17 de janeiro para US\$ 66 na terça, uma queda de 17% em período muito curto. O recuo ajuda a empresa ao importar diesel, beneficiando a logística do País, altamente dependente do transporte rodoviário. Mas a estatal se tornou uma gigante exportadora de petróleo, e a perda de receita será acentuada se não houver recuperação do Brent. Com esse problema nas mãos, Magda anunciou que vai simplificar projetos e reduzir custos para preservar o caixa da empresa – isso animou o mercado porque os investidores temem uma tesoura na política de dividendos, que segue como uma das mais atraentes entre as grandes companhias do País. Deve-se lembrar que a executiva foi recrutada pelo presidente Lula com a missão de ajudar o País a crescer, retomando projetos de busca de petróleo fora do pré-sal, de refino, de fertilizantes e de novas fontes de energia. Entretanto, a Petrobras segue regras da Lei das Estatais e do mercado aberto, e está sujeita às particularidades do setor de commodities, cuja principal característica é a volatilidade dos preços, que disparam por questões geopolíticas ou pela expectativa de demanda e oferta. Portanto, considerar a Petrobras apenas um braço político do governo significaria a destruição do valor da empresa na Bolsa. De qualquer forma, será interessante acompanhar a gestão da estatal daqui para frente, pois a austeridade deveria ser a base de qualquer nível da máquina pública.