[[legacy_image_258589]] Ainda abalado pelo assassinato de uma professora cometido dentro da escola no último dia 27, em São Paulo, por um estudante, o Brasil foi impactado, ontem, pela morte de quatro crianças vítimas de um homem em uma creche em Blumenau (SC). No primeiro caso, o autor do crime foi um adolescente de 13 anos; no segundo, um homem de 25 anos. Em meio a tantos problemas econômicos e sociais que o País enfrenta, é especialmente sofrido ter de conviver com tragédias do tipo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Se os Estados Unidos são o lugar onde crimes do gênero mais ocorrem, no Brasil eles crescem assustadoramente. Levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz aponta que, desde 2003, o País registra 11 episódios de ataques com armas de fogo em escolas brasileiras. Nos mais recentes ataques, os agressores usaram faca e machadinha para engrossar uma estatística das mais infelizes. Trata-se de um problema de difícil solução, que se desenvolve silenciosamente e, quando se manifesta, geralmente deixa poucas chances de defesa, pela forma surpreendente com que ocorre. Na maioria dos casos, não há alvos definidos. O assassino acerta quem estiver pela frente. Se ontem as vítimas foram quatro crianças com idades entre 4 e 7 anos, no ataque paulistano a vítima fatal foi a professora Elisabete Tenreiro, de 71 anos, na Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia, Zona Oeste da Capital. Além dela, outras quatro professoras e um aluno foram esfaqueados pelo garoto. De acordo com especialistas no assunto, muitos dos ataques são perpetrados por jovens que se sentem isolados, desamparados ou frustrados. Eles costumam enfrentar problemas psicológicos e sociais agravados pela exposição à internet, com jogos e fóruns que incentivam o comportamento agressivo. Por falar em internet, na última segunda-feira, em Guarujá, diferentes perfis da rede social Instagram trouxeram anúncios sobre ataques que seriam promovidos em colégios públicos do Município. Com atenção das autoridades para o episódio desde o domingo, além do patrulhamento reforçado na porta dos colégios, nada ocorreu. Porém, fica o receio para pais e alunos não somente de Guarujá, mas de todas as localidades. Enquanto a Polícia Civil investiga o caso em Guarujá, a Prefeitura colabora com as autoridades na apuração e acrescenta que desenvolve ações, projetos e ciclos de palestras sobre bullying e outros temas socioemocionais em toda a rede municipal. Trata-se de medida fundamental, que deve ser ampliada e aperfeiçoada sempre. E as autoridades têm papel fundamental na batalha contra crimes do tipo, o que reforça a importância de anúncios como o feito ontem pelo Governo Federal, que destinará R\$ 150 milhões na próxima semana para estados e municípios ampliarem rondas policiais no entorno de colégios, além de ampliação de policiais que monitoram grupos na internet.