[[legacy_image_247376]] Logo após o ataque frustrado, na última segunda-feira, de um jovem contra duas escolas de Monte Mor (SP), a Prefeitura disse se tratar de fato isolado. Considerando o âmbito da cidade, sim, mas se for observado o histórico de casos parecidos no País, eles têm se repetido com uma insistência preocupante. Para piorar, tais registros se deram em municípios de menor porte, não tão violentos como as capitais, que têm população acostumada à violência urbana. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De qualquer forma, os gestores de ensino precisam olhar para esse surto de agressões contra professores, alunos e funcionários por parte de lobos solitários (um só atacante) que invadem esses espaços com armamento pesado e em algumas ocasiões causam elevado número de mortes. Trata-se de um tipo de crime frequente nos Estados Unidos e que infelizmente está se espalhando pelo Brasil, sob o risco de ser banalizado. A melhor forma é investir em pessoal e equipamentos de vigilância, adotar e difundir protocolos de ação e preparar os frequentadores das unidades de ensino sobre como se reagir nessas ocasiões. Para deixar claro que esses casos de invasões violentas contra escolas estão aumentando, basta observar os registros recentes. Desde 26 de setembro último, foram cinco ataques, começando por Barreiras (BA), Morro do Chapéu (BA), em 27 de setembro, Sobral (CE), em 5 de outubro, Aracruz (ES), 25 de novembro, e Ipaussu (SP), em 14 de dezembro, somando pelo menos seis mortos. O balanço fica assustador se forem considerados os massacres de Suzano (SP) de 13 de março de 2019, com dez vítimas fatais, e de Realengo, no Rio de Janeiro, em 7 de abril de 2011, com 12 mortes, segundo balanço da BBC Brasil. Nos EUA, onde os casos se repetem pelo menos desde os anos 1960, as escolas instalaram detectores de metais, reconhecimento facial e coletes, mochilas e lousas à prova de bala. Na Grã-Bretanha, em 1997, após o massacre em uma escola escocesa, optou-se por proibir o uso de armas no país. A discussão, sob esse aspecto, é complexa, tanto nos EUA como no Brasil, indo de um extremo a outro, de um lado com defensores do desarmamento e, na ponta oposta, o argumento de que um cidadão armado dentro de uma unidade de ensino poderia evitar o ataque surpresa. Aliás, no caso de Barreiras, o agressor usou o revólver do pai, um policial militar, e em Sobral, a arma de fogo era registrada no nome de um CAC (colecionador, atirador desportivo e caçador). Também é preciso estudar o contexto de cada caso e seus componentes psicológicos, como suposta vingança por bullying e ostentação de símbolos nazistas, como no mais recente caso e em Aracruz. Há ainda falta de infraestrutura das escolas públicas e inaptidão dos governos para reduzir a violência urbana. Infelizmente, além dos furtos contra as unidades de ensino, a segurança também precisa contemplar o risco de massacres, que não podem ser banalizados.