Com o Banco Central e o Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos, coincidentemente agendados para decidir no próximo dia 18 suas taxas de juros, os mercados enfrentam momentos de incerteza (Reprodução) Com o Banco Central e o Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos, coincidentemente agendados para decidir no próximo dia 18 suas taxas de juros, os mercados enfrentam momentos de incerteza. Do lado do Brasil, é esperado que a Selic suba entre 0,25 e 0,50 ponto percentual, o que é uma pena, justo no momento em que o Produto Interno Bruto (PIB) engrenou com crescimento mais vibrante. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou PIB de 1,4% no segundo trimestre. Para entender o ritmo que o País está agora, se esse 1,4% valesse para o ano todo, o PIB estaria em quase 6%, o que é muito. O gasto público acelerado explica essa alta, mas o recuo da Selic em 3,25 pontos percentuais deixou o crédito mais barato, também aquecendo consumo e investimentos. Portanto, alguma elevação da Selic agora significa um balde de água fria nas expectativas, apesar de economistas afirmarem que, com base na inflação atual, a elevação da Selic será de menos de três pontos e terá curta duração. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa mudança de rota é uma oportunidade para discutir os motivos do País ter juros tão altos. A culpa não está no regime de metas, que são estipuladas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação desejada e que o BC precisa cumprir. Alguns países controlam seus preços com taxas mais baixas e outros, como o Brasil, precisam das mais altas. Isso tem a ver com um passado inflacionário, com contratos de reajustes automáticos (conforme seu indexador) ou com produtos que ficam sempre mais caros porque o fabricante ou varejista acha que eles vão sempre subir. Ambas as situações tornam mais custosa a tarefa do BC de debelar a inflação. Mas desde o Plano Real, que trouxe alguma estabilidade aos preços, o País não fez o dever de casa do controle das contas públicas. Se de um lado não houve a conquista da eficiência da máquina pública, de outro, mesmo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Estado não parou de gastar, em meio à elevada carga tributária. Com déficits (gastos superando receitas), a máquina estatal ficou dependente do financiamento. Isso faz com que os juros sejam sempre altos para atrair grandes investidores, que pelo volume que operam cobram mais caro assim que desconfiam do governo da ocasião. Nos EUA, considerando as devidas proporções, os juros de 5,25% a 5,5% derrubaram a inflação para a casa dos 3%, enquanto no Brasil a Selic de 10,5% a duras penas tenta segurar o IPCA dentro do teto da meta inflacionária, de 4,5% ao ano. O gasto público é bem-vindo desde que seja feito de forma eficiente e com financiamento baixo – caso contrário, assim como nas famílias e empresas endividadas, começa a crescer uma bola de neve até um ponto que se torna impossível administrá-la. Nessa situação, graves crises se desenrolam, minando também o setor privado e contaminando a confiança que se tem na economia brasileira.