[[legacy_image_108239]] A queda da cobertura vacinal da população da região, de 70% em 2018 para abaixo de 60% no ano passado, conforme os dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), é extremamente grave. Esse recuo em ritmo acelerado em curto espaço de tempo abre caminho para a disseminação de doenças quase erradicadas ou de pouca incidência – e que podem deixar sequelas para o resto da vida e comprometer a qualidade de vida da população em geral. Por isso, é muito bem-vinda a campanha de vacinação para as faixas até 15 anos, a partir de hoje, e que tem a participação da redes municipais de saúde. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O que preocupa é que se permitiu essa queda de mais de dez pontos percentuais nesse período. A covid-19 tem uma parcela de culpa importante nessa estatística, com o adiamento dos cuidados rotineiros contra as doenças durante o isolamento social e que agora, na reabertura, demoram a ser retomados. Mas o novo coronavírus não pode levar toda a responsabilidade por esse fenômeno, afinal, antes da pandemia, que começou em março do ano passado, o decréscimo da multivacinação já se consumava. De acordo com o SI-PNI, banco de dados do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal era de 71,10% em 2018, despencando para 62,27% em 2019 e 60,22% em 2020. A parcial deste ano até agosto é de 57,79%. O mais assustador é a diversidade de doenças com imunização abaixo de 50% no ano passado: poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche e febre amarela. Algumas dessas doenças tiveram a incidência reduzida e até zerada ao longo das décadas em muitos países ou, pelo menos, em regiões de boa estrutura de saúde pública e privada. Talvez essa sensação de que o pior passou tenha levado muitos pais e pacientes a se descuidarem e, as autoridades, a serem menos incisivas nas campanhas nacionais. Aliás, a queda das vacinações é um problema mundial recente. Será uma pena se esse recuo se consolidar no Brasil – historicamente, o País realiza uma ampla imunização devido ao longo trabalho da saúde pública de convencimento da população. Entretanto, a queda da cobertura das imunizações também pode ser um reflexo da campanha internacional antivacinação, que é muito forte em alguns países, principalmente nos mais desenvolvidos, e que se espalhou com as redes sociais. Por exemplo, alguns sanitaristas associam a disseminação do sarampo na Europa a essas campanhas. Outro resultado danoso dessa onda irresponsável contra a saúde pública é que, antes da pandemia, com a multiplicação das viagens internacionais, essa globalização ajudou a expandir muitas doenças e a própria covid-19. Portanto, além do esforço vacinal dos próximos dias, as autoridades sanitárias e a medicina privada precisam juntar esforços, para conscientizar a população sobre a importância de periodicamente retornar aos postos de imunização.