Foto ilustrativa (Arquivo/ AT) O temporal, na noite de terça-feira, serve de alerta para as autoridades e também para a população, que deve continuar cobrando medidas de prevenção. De 289,2 mm de chuva no acumulado do mês, Santos registrou 124,4 mm entre as 18 e 21h de terça-feira. Em Bertioga, a situação foi pior ainda, com 169 mm. Ocorreram inundações em vários pontos da Baixada Santista, resultado de uma enxurrada tão forte, sem mortes, felizmente, mas com transtornos na volta para casa, com as cidades intransitáveis, prédios públicos e comércios alagados e famílias perdendo seus móveis nas inundações. Há ainda a previsão, válida até hoje, para mais uma tempestade. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os registros constantes de temporais devastadores, atribuídos às mudanças climáticas, e a tragédia de 3 de março de 2020, que deixou 34 mortos em Guarujá, oito em Santos e três em São Vicente, exigiram um plano de ação das prefeituras, principalmente com melhorias nas encostas e sistemas de alerta em alguns morros. Além da continuidade dos investimentos, os moradores das áreas de risco precisam ser mais conscientizados da importância de agir corretamente nos temporais e seguir as recomendações da Defesa Civil. Também é fundamental que as prefeituras, em parceria com órgãos que atuam no campo da prevenção, como a própria Defesa Civil, e de tráfego façam uma ampla campanha para orientar os motoristas sobre o perigo de tentarem circular em áreas alagadas. Casos recentes com mortes em Campinas e São Paulo sinalizam desconhecimento sobre o que fazer nessas horas. Além disso, é necessário fazer o óbvio, que é ampliar os investimentos em drenagem e na manutenção da limpeza, o que envolve fechar o cerco contra o descarte incorreto de lixo. Todas essas medidas precisam estar inseridas em plano de prevenção que junte os esforços das cidades, do Estado e da União para fazer obras necessárias para o combate a alagamentos. Tais projetos que não podem mais demorar tanto tempo para serem implantados. Com as mudanças climáticas, as cidades têm sido surpreendidas por temporais mais agressivos. As dimensões podem ser catastróficas, como a do Rio Grande do Sul, durante mais de um mês, ou com chuvas concentradas em poucas horas, mas com potencial de causar mortes ou arrasar moradias em áreas específicas. Este foi o caso de algumas ruas da Vila Madalena, na Capital, em 24 de janeiro, com a água subindo dois metros nas casas, causando um afogamento em uma residência, e arrastando veículos. Com um clima tão surpreendente e destruidor, resultado da interferência predatória do ser humano no meio ambiente, os governos precisam revisar suas prioridades. Não é mais possível agir com paliativos após os grandes temporais, apoiando-se na sorte para que não se repitam. No fim das contas, isso exige o foco na prevenção, algo sempre relegado a segundo plano no Brasil, uma mentalidade que precisa mudar.