[[legacy_image_317133]] Com um resultado quase zerado, a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre poderia ter sido pior. Portanto, o crescimento pífio de 0,1% sobre o período imediatamente anterior (abril a junho) foi um alívio. Há ainda duas observações: a primeira é que os investimentos em máquinas, na indústria e na construção caíram, uma situação que dificulta um crescimento mais forte no futuro por falta de modernização ou mesmo ampliação das fábricas. O outro ponto é que o consumo das famílias permanece avançando forte, sustentando, ao lado do agronegócio, a economia, reflexo dos programas sociais, da queda do desemprego e da recuperação moderada dos serviços. A média das previsões apontava para um recuo do PIB de -0,2%, o que fez o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmar que o resultado foi positivo, no sentido de boa performance. A alta de 0,1% também salva a imagem o governo, pois se o PIB tivesse caído e neste trimestre ocorresse nova queda, o País entraria em recessão técnica, uma convenção dos economistas quando dois trimestres seguidos ficam negativos. Mesmo se o PIB ficar no zero no período entre outubro e dezembro, o desempenho anual será de 3%. Mas indicadores setoriais, como consumo de papelão e transporte de cargas, mostram que os últimos meses do ano não serão tão ruins. Já é esperado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressione Haddad por medidas de estímulo desgastadas, como mais crédito e apoio à produção, que dão reflexos no curto prazo, permitindo demonstrar resultados nas redes sociais, condição de sobrevivência mínima para a popularidade de qualquer político no poder nos tempos atuais. Contudo, nos períodos alongados, esses artifícios perdem efetividade, como a redução temporária da carga tributária dos carros baratos, no primeiro semestre. Neste ano, as exportações de alimentos, petróleo e minério de ferro foram tão fortes que deram um impulso no PIB, lembrando que no começo do Governo Lula os economistas previam crescimento anual de 0,5% a 1%. O destaque foi o agronegócio, que deu um excelente salto no primeiro semestre, mas não no segundo (caiu 3% no terceiro trimestre). Não se trata de frustração, pois a colheita das culturas mais importantes, como a soja, está concentrada na primeira etapa do ano. Para 2024, fica o suspense do El Niño, que poderá se manifestar até maio com muitas chuvas no Sul-Sudeste e seca nas outras regiões, causando incêndios. Assim, o agronegócio pode não conseguiria repetir o avanço deste ano. Porém, a queda dos juros tende a reaquecer setores que patinam, como indústria e serviços, que dependem de taxas mais baixas para ganhar tração. Se o exterior não entrar em recessão, o País terá grandes chances de crescer um pouco mais do que os 2% que os economistas esperam.