Imagem Ilustrativa (Pixabay) Ainda que o consumo e o mercado do trabalho estejam em recuperação, o que tem ajudado o comércio, as notícias constantes de grandes varejistas pedindo recuperação judicial preocupam. Apesar de muitas dessas empresas estarem com problemas sérios, o que pode ser de gestão ou concorrencial, como importações e avanço do e-commerce, parte dessas companhias enfrenta entraves importantes para sobreviverem, como juros altos e crédito restritivo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme reportagem do jornal Valor, a consultoria Virtus levantou que o setor varejista renegocia neste momento R\$ 56 bilhões em dívidas, número que considera dados do Banco Central e de companhias de capital aberto (com ações na Bolsa), entre outras fontes. Esse total equivale a 30% do crédito fornecido ao varejo, um ramo que depende muito do financiamento para suas operações, como parcelar a compra dos clientes e manter estoques. Imagina-se que o problema seja maior, pois esses negócios são diluídos em pequenos e médios comércios, expostos a dificuldades do mesmo nível ou até superior. A recuperação judicial protege uma empresa contra seus credores. Por outro lado, esse benefício exige que ela apresente um plano de reestruturação, devidamente aprovado, dos negócios e de como pretende pagar as dívidas. Conforme a reportagem, uma grande varejista, que fez esse acordo, tinha mais de 30% de seu endividamento com vencimento neste ano, o que foi evitado por uma renegociação que resultou em pagamento de longo prazo. Não houve o calote, mas ela terá de comprovar que ainda é um negócio competitivo. A crise do setor se aprofundou na década passada e teve um empurrão importante na pandemia, com o isolamento social e o desemprego elevado. Mas os juros altos permearam todo esse processo. Basta observar a série histórica da Selic, que ficou em dois dígitos ao ano de 2013 a 2017, atingiu seu menor nível no auge da covid, de 2% entre agosto de 2020 e janeiro de 2021, subindo a partir daí, até porque taxas baixas por muito tempo aquecem a inflação. Desde fevereiro de 2022, a Selic voltou a ficar acima de 10%. Porém, os comerciantes, que perderam vendas no período de 2020 e 2021 por questões sanitárias enfrentaram outros efeitos. Por exemplo, o desemprego superou 14% em 2021, recuando agora para a faixa de 7%, mas ainda há muito consumidor endividado. Para piorar o quadro, no ano passado estourou o escândalo da Americanas, que expôs um elevado endividamento. Nesse período, temendo mais problemas com o setor, o setor financeiro ficou mais rigoroso para emprestar, o que abalou os lojistas. Nos últimos anos, houve questões contra as quais o comércio não pode evitar, como pandemia e novas tecnologias. Mas está bem claro que não se deve brincar com inflação, pois seus remédios, como juros altos, causam estragos de longo prazo e disseminados nos negócios e no bolso do consumidor.