[[legacy_image_332408]] Muito tem sido falado sobre a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Ricardo Lewandowski para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Nessas análises, sua antiga aproximação com o petista e a indicação de nomes de confiança para o Supremo Tribunal Federal (STF) – com Cristiano Zanin e Flávio Dino – significam uma estratégia de proteção do petista em relação a futuros movimentos do Congresso. Porém, o Executivo federal tem questões práticas a resolver, com implicações eleitorais, e o Governo Lula precisa demonstrar serviço – e é o que a sociedade espera. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A violência bruta das ruas está presente no noticiário há décadas, manifestando-se nos mais diferentes formatos, como sequestros e explosões de caixas eletrônicos, que perderam espaço para outras modalidades, como ataques a bancos em cidades pequenas ou de médio porte, em uma ação intitulada de novo cangaço. Mas os pequenos roubos e homicídios nunca deixaram de atormentar o cidadão, que no dia a dia sai de casa para trabalhar ou se divertir. Um exemplo trágico é o do holandês Hessel Hoeskra, que estava no Brasil a trabalho e foi conhecer a Rua 25 de Março, na Capital. Atacado pela conhecida gangue da correntinha, reagiu, foi agredido e morreu após bater a cabeça no chão. A polícia busca pelos assaltantes, mas infelizmente não é possível ter a esperança de que a repressão a esses bandidos vai resultar em mais segurança, porque outros crimes serão praticados corriqueiramente. O policiamento das cidades é uma atribuição dos governos estaduais, mas a gestão federal pode colaborar para haver uma integração de esforços. Em seu discurso de posse, quinta-feira, Lewandowski citou acertadamente que há “fragmentação federativa” para enfrentar outro fenômeno da violência, as organizações criminosas, faltando integrar instituições que lidam com dados, como Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o próprio Poder Judiciário e os bancos. Interessado em se contrapor à direita, que tem a segurança pública como sua bandeira, o Governo Lula sinalizou movimentos desse lado, em especial o enfrentamento ao crime organizado, um fenômeno mundial em expansão devido às ferramentas da tecnologia, tanto na comunicação pelo celular como facilidade para transferir quantias on-line. Lewandowski tem uma missão bem ampla, que vai desde a organização da máquina federal contra o fenômeno das facções até um esforço com os estados em benefício de iniciativas para aumentar a proteção do cidadão contra os crimes do dia a dia. Seu conhecimento das leis e a sua experiência na Corte também facilitariam um trabalho concentrado com o Judiciário. O enfrentamento à criminalidade em geral exige o longo prazo para dar resultados consistentes, mas mudanças pontuais e investimentos nas polícias poderão garantir conquistas no curto prazo.