[[legacy_image_156258]] Combustíveis, alimentos e logística, o que inclui o Porto de Santos, são os produtos ou serviços da economia mais diretamente afetados pela invasão da Ucrânia pela Rússia e as consequentes sanções contra o país do insano Vladimir Putin. O Ocidente ainda não embargou petróleo e gás russos, mas essa medida segue no arsenal ainda possível para forçar Moscou a recuar e parar de matar civis inocentes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, os impactos ainda estão no âmbito da expectativa, porque a real dimensão vai depender da duração da guerra e de uma possibilidade de conflito civil ucraniano. A liderança inesperada e firme do presidente Volodymyr Zelensky insuflou a reação popular e poderá retardar os planos de Putin, em caso de vitória, de controlar definitivamente o país. Como há contornos imprevisíveis, a incerteza força a subida de preços. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro concentra sua posição em uma “neutralidade” que não é seguida nem pelo Itamaraty – na quarta-feira, o Brasil votou contra a Rússia na ONU – e lamenta o impacto da crise nos fertilizantes. De concreto, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, busca alternativas no Canadá (de qualquer forma, pela ausência russa, esses insumos vão ficar mais caros). Porém, o grande problema do Palácio do Planalto é o combustível. Segundo o jornal Valor, os preços praticados pela Petrobras já estão defasados entre 25% e 30% em relação aos externos – por volta de R\$ 1 por litro, segundo a consultoria Stonex, uma diferença que cedo ou tarde terá que ser equacionada. Para piorar, o barril subiu 7% na terça-feira e mais 7% na quarta. Em caso de novo reajuste, o governo deve alegar que a culpada é a guerra. Até então, o presidente tem culpado os governadores por não cortarem o ICMS. Mas já está mais claro que a estratégia de reduzir carga de impostos de forma isolada é ineficiente para conter o aumento de preços. Na próxima semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai anunciar a redução de 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Porém, economistas dizem que o custo da guerra sobre insumos e logística pode gerar inflação, anulando quedas de impostos. O Porto de Santos também está inserido na crise da Ucrânia. Além dos armadores temerem seus navios destruídos por mísseis, essas companhias já começaram a suspender embarques com origem ou destino nos portos russos. A Rússia, assim como o Brasil, é um grande produtor de commodities, principalmente petróleo e trigo, e isso deve gerar uma escassez de diversos produtos e dificultar a navegação. O reflexo se dará diretamente no aumento dos custos da logística, segundo profissionais do Porto. Dessa forma, o Palácio do Planalto precisa sair de sua neutralidade, que pode levar a um isolamento que relegaria os interesses dos negócios brasileiros ao fim da fila, em benefício das nações que realmente se engajam contra as ameaças de Putin à Ucrânia.