[[legacy_image_339200]] Em uma disputa política polarizada, com a qual os embates são feitos dia a dia nas redes sociais e a busca por resultados é imediatista, até para se contrapor ao adversário, o debate sobre o Produto Interno Bruto (PIB) tende a ser superficial. Mas o que importa é mostrar as vulnerabilidades exposta pelo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para poder fazer as correções de rumo de curto, médio e longo prazos. O governo festejou a expansão do PIB de 2,9% no ano passado, o que está correto, pois foi um feito e tanto. Em meio à taxa de juros básicos de dois dígitos, o País cresceu entre um ponto percentual e dois a mais do que a previsão dos economistas. O excelente resultado se deu com o impressionante avanço do agronegócio, concentrado nos dois primeiros trimestres, e a disparada das exportações, fatores que já eram bem conhecidos. Uma conjuntura de desaceleração ou recessão mundial mais branda e preços razoáveis de commodities (produtos agropecuários e minerais) ajudaram o Brasil. O crescimento mais forte da oferta de emprego e a injeção de dinheiro público (via programas sociais e aumento do salário mínimo acima da inflação) completaram o rol de situações econômicas favoráveis. Mas nada garante que esse conjunto de situações vai voltar a beneficiar o País. O desemprego caiu para a faixa dos 7% e não tem mais tanto espaço para recuar. Nessa conta, a única forma de melhorar será pela subida dos salários devido à disputa por mão de obra. Apesar disso ser o sonho de qualquer trabalhador, há o risco da alta da renda aquecer demais o consumo, forçando a inflação. Esse é o alerta do ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. Ele está entre os economistas que nos últimos tempos têm falado sobre o PIB potencial, que é a capacidade do Brasil crescer sem gerar aumento de preços. Schwartsman diz que esse indicador fica entre 1% e 1,5%, o que indica que se o PIB subir acima disso haverá risco inflacionário. Os índices ainda estão comportados, mas mais alguma injeção de dinheiro público ou conjuntura externa favorável (recuperação dos países ricos) poderá acelerar o PIB sem haver condições para isso se perpetuar de forma sustentável. Para piorar, caiu o nível de investimento, que é o que melhora a eficiência da economia e a prepara para aproveitar o aumento do consumo sem provocar inflação. Esse índice, que equivalia a 17,8% do PIB em 2022, recuou para 16,5% no ano passado. Por isso, o governo precisa passar a corrigir essas falhas, que não são surpreendentes porque há tempos travam a expansão do País. Há amplos estudos sobre isso. As reformas ajudam a enfrentar parte do problema, mas falta melhorar a capacitação da mão de obra, o ensino básico e a infraestrutura. Também é fundamental ampliar o crédito, o que exige juros baixos – e para isso a inflação não pode voltar. Portanto, é preciso evitar aventuras e conter as ideias populistas.