[[legacy_image_50912]] Depois de 14 meses de pandemia, já é possível identificar o legado da doença, que é preocupante. Por isso, os governos municipais, estaduais e o federal precisam se preparar para novas ou antigas demandas que chegarão com força total. Além das 465 mil mortes causadas pelo novo coronavírus, há as sequelas que atormentam os milhares de curados. Porém, aos poucos começa a chegar uma conta da própria saúde, indicando que essa área não poderá deixar de ser prioridade no pós-covid – devido às restrições sociais e ao próprio temor da população, o atendimento de diversas outras doenças acabou sendo represado, como é o caso do câncer, segundo o oncologista Paulo Hoff. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! De acordo com Hoff, que participou na segunda-feira do 15o Congresso Médico Científico, evento realizado em Santos pelos alunos de Medicina da Unimes e que tem apoio do Grupo Tribuna, o câncer registra 130 mil casos por ano no Estado. Ele afirmou que, durante a pandemia, o diagnóstico dessa doença caiu 30%, não porque houve uma melhora geral, mas pela falta de procurar um especialista. Esses casos não identificados, afirmou ele, logo serão registrados, porém, em estágio avançado, de difícil tratamento, a um custo mais elevado e sob risco muito maior e doloroso para o paciente. Muitos dos casos de câncer são identificados não necessariamente quando se imagina que se está com a doença, mas por atendimentos de rotina ou para tratar sintomas. Como a população reduziu as idas ao sistema de saúde, os programas de prevenção ficaram prejudicados. Por isso, é muito importante que os governos reconvoquem a população para seus exames periódicos convencionais. Além desse legado na saúde, ainda não se sabe até que ponto irá a covid-19 – ela pode continuar se disseminando se a vacinação deixar grupos sociais vulneráveis, tornando-se uma endemia (como a dengue, que persiste e, em determinados anos, se espalha mais fortemente). A expectativa é que vacinas cada vez mais eficientes controlem a doença no curto ou médio prazos, entretanto, fica a possibilidade da população desenvolver uma série de doenças pela inconstância do atendimento. Uma forma de combater esses riscos é dar o devido valor ao Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a pandemia, autoridades dizem à exaustão que o SUS provou sua importância contra a covid-19. Mas até agora, pouco se fala em reforçar o SUS para o longo prazo. Daqui para frente, milhares de pessoas adoecidas por falta de acompanhamento de várias doenças vão recorrer ao SUS e não se deve estranhar de que a notícia será que ele estará sobrecarregado. O ideal seria ajustar os orçamentos para essa área, principalmente a preventiva, mas no caso do atual governo, o privilégio foi dado às emendas da base parlamentar. No final das contas, o Brasil de sempre é aquele que vive no afogadilho de seus problemas, correndo para resolvê-los em cima da hora.