(Unsplash) Assim como o Japão nos tempos atuais, o Brasil terá que enfrentar os desafios do envelhecimento da população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou projeções para as próximas décadas, com desaceleração do aumento anual do número de habitantes até 2041, passando a recuar em 2042. Entretanto, as mudanças do perfil etário brasileiro já começaram a ocorrer, ainda que a juventude seja predominante. Mas os especialistas estão impressionados com o rápido avanço da proporção de idosos, o que foi mais demorado nas economias ricas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O envelhecimento acelerado vai exigir uma adaptação muito mais dinâmica do setor público e, paralelamente das empresas, com produtos e serviços que também terão de mudar conforme o novo perfil amadurecido da clientela. Na esfera governamental, os impactos mais óbvios serão na saúde. Os hospitais e medicamentos vão exigir mais recursos orçamentários, reflexo do avanço da tecnologia nos tratamentos. Demógrafos alertam para dar prioridade a lares para idosos, assim como a profissionais formados para esse público. Simultaneamente, as escolas terão uma demanda bem menor, com o lado positivo da possibilidade do menor custo para investir em ensino de melhor qualidade e com mais instrumentos de tecnologia. Já a automação e a inteligência artificial deverão ser ferramentas importantes para a economia avançar com uma mão de obra jovem bem menos numerosa. A preocupação central está com a Previdência Social, que hoje já representa grave problema econômico, com número cada vez menor de contribuintes, que é o pessoal da ativa, e um público maior de usuários e por mais tempo, pois a longevidade está se expandindo. O governo vai precisar fazer novas edições da reforma previdenciária, mas atrasar a hora da aposentadoria logo não surtirá efeitos na sustentação do sistema pela própria limitação da capacidade física. Também será preciso oferecer mais ocupações para os idosos que continuam trabalhando, por necessidade ou disposição. Segundo o IBGE, o envelhecimento tem relação com a queda da natalidade, estimulada pela tecnologia e mudanças sociais, como as conquistas das mulheres, mas a aceleração das mudanças não tem explicações conclusivas. Uma das possibilidades é a pandemia ou a emigração mais intensa de brasileiros. O IBGE diz que a taxa de fecundidade em 2000 era de 2,32 filhos por mulher, caindo para 1,66 em 2020 e 1,57 em 2023. O índice de 2,1 é considerado o nível de reposição para que o perfil populacional não mude. No ano passado, 15,6% dos brasileiros tinham 60 anos, e em 2070 essa participação será de 37,8%. O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves espera ainda o “envelhecimento do envelhecimento”, quando um em cada dez brasileiros terá mais de 80 anos. A longevidade é a esperança de cada um, mas serão necessárias mudanças profundas para todos conseguirem envelhecer bem.