(Freepik) O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra trouxe o primeiro resultado concreto – o preço do petróleo registrou forte tendência de queda. O tipo Brent, modalidade de referência para a Petrobras, custava US\$ 60 em 2 de janeiro último, atingindo US\$ 83, um aumento de 38%, na última segunda-feira. Porém, o produto bateu em US\$ 126 em 30 de abril, mantendo-se acima de US\$ 100 na maioria dos dias entre 12 de março e 7 de abril e, depois, ininterruptamente, de 24 de abril a 20 de maio. Essa disparada foi provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial. Agora, mesmo sem o trecho estar totalmente aberto devido à presença de minas, o litro do barril já retornou à casa dos US\$ 80. É possível ocorrerem algumas altas devido à fragilidade do acordo e a Israel mantendo os ataques ao Hezbollah, milícia aliada aos iranianos. Por outro lado, mesmo se a pacificação vier para valer, o fluxo marítimo do produto ainda vai levar semanas e até meses para se normalizar. Porém, impressiona como a cotação do produto recuou rapidamente. A resposta pode estar em mudanças econômicas importantes. Primeiro, já há uma importante transição para fontes mais limpas, com alguns países muito avançados nesse sentido, como Brasil, China e boa parte da Europa. Também existe muita oferta de petróleo no mundo, além do Oriente Médio, com nações bem posicionadas em reservas, como Estados Unidos, Guiana e, mais uma vez, o Brasil. Deve-se considerar ainda a inclusão da Venezuela nesse grupo, apesar do sucateamento de sua produção levar tempo para ser revertido. A expansão da produção do petróleo fora do Oriente Médio, também pela China e países africanos, não significa que a região perdeu a importância. O Oriente Médio continua majoritário, influente politicamente, com o menor custo e bem inserido na cadeia mundial. Essa crise, entretanto, exige um olhar mais sério do Brasil sobre o pré-sal e reservas que ainda são uma promessa, como a da Margem Equatorial (faixa litorânea entre Amapá e Rio Grande do Norte). Há ainda uma grande disputa sobre os royalties do pré-sal, sobre quais cidades devem recebê-los, e a expansão do uso do fundo do petróleo nas áreas sociais, sem ficar claro se o País terá uma poupança, como a Noruega, para quando essa produção secar. Paralelamente, há muita discussão sobre a extração ao norte do Amapá, enquanto o presidente Lula intercala defesa do meio ambiente e necessidade de extrair essa riqueza. O que se sabe é que o pré-sal pode ser esgotado já na próxima década e o País precisa encontrar fontes confiáveis até que haja a plena transição para energias limpas, pelo menos no caso dos automóveis. A crise do Oriente Médio trouxe inflação e um possível corte mais tímido de juros pelo Banco Central. Isso mostra a necessidade de uma melhor gestão do setor energético para evitar choques na economia de tempos em tempos.