O levantamento realizado por A Tribuna com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra a contínua migração das riquezas pelo Estado. Mesmo na Capital e em seu entorno há muita movimentação em curso, como o impressionante crescimento de Osasco. A cidade é hoje a segunda economia paulista, atrás obviamente da Capital, mas à frente de dois tradicionais centros industriais e de serviços – Campinas e Guarulhos. O estudo do IBGE apontou Osasco com Produto Interno Bruto (PIB) de R\$ 76,6 bilhões em 2018, o dado mais recente, superando os R\$ 62,8 bilhões de toda a Baixada Santista, que tem quase o triplo de habitantes. Osasco avança por ser mais barata que outras cidades da Região Metropolitana de São Paulo e também por ter fôlego para capturar o que a Capital, em seu gigantismo e autossuficiência, não se interessa mais. Por exemplo, a Capital optou por restringir investimentos imobiliários pela qualidade de vida e parte desse dinheiro da construção civil foi aportar em Osasco. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! Entretanto, há outros centros em expansão acelerada, como Sorocaba, que ganhou indústrias de capital asiático, e São José dos Campos, que atraiu negócios de alta tecnologia associados às necessidades da produção aeroespacial. O desenvolvimento desses centros médios pode servir de inspiração para a Baixada Santista. A região tem três âncoras econômicas – o Porto, o Polo de Cubatão e a temporada, com um quarto viés que ainda se consolida – o segmento de petróleo e gás. Porém, o potencial desses vetores é muito mal aproveitado. O Porto mantém seu crescimento por meio da tecnologia e gera negócios para prestadores de serviços – por outro lado, vai empregar número cada vez menor de trabalhadores. Já Cubatão tem seu futuro atrelado a recuperação da produtividade da indústria brasileira. Parte dos insumos do parque petroquímico enfrenta forte concorrência chinesa, que vai aumentar esse ano com a prevista queda acentuada do dólar. No caso do ramo petrolífero, o gás é um grande alento. Há a expectativa da instalação de dutos conectando o polo sul da Bacia de Santos ao Litoral e a produção de equipamentos para que as empresas façam a transição para a matriz do gás. O setor turístico continua fundamental por sua grande capacidade de geração de emprego, importante para garantir o sustento de dezenas de milhares de famílias. Entretanto, as autoridades e as lideranças empresariais da região precisam fazer um esforço concentrado para melhorar o valor agregado desse setor. Praia Grande, que concentra um formidável crescimento, ainda tem um PIB modesto de R\$ 7 bilhões, reflexo de uma economia concentrada no veraneio e que pode ser diversificada e ganhar tração se o aeroporto de cargas sair do papel. De qualquer forma, os setores associados ao turismo precisam melhorar a qualidade dos serviços, cobrar segurança pública e investir em eventos o ano todo.