[[legacy_image_358360]] Com o governo muito preocupado com os impactos das chuvas intensas no Rio Grande do Sul, a oferta de arroz, alimento essencial para o brasileiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária decidiu importar o cereal, que tem 70% de sua produção nacional concentrados naquele estado. Como há o temor de problemas de abastecimento, a ideia foi importar até 1 milhão de toneladas como forma de evitar uma explosão de preços. Paralelamente esse caso retomou a discussão da formação de estoques dos principais itens consumidos, uma prática que não é mais feita no País desde o Governo Bolsonaro, por decisão do então ministro Paulo Guedes, provavelmente por sua estratégia de mínima presença do Estado na economia. Mas nas gestões petistas anteriores, segundo especialistas, a armazenagem era mais voltada para atender programas sociais e não para equilibrar o abastecimento do comércio. Segundo produtores gaúchos, em especial a líder nacional Camil, não há falta de arroz no mercado, pois 80% da colheita já estavam concluídos antes das chuvas, ficando a dúvida se os temporais atingiram a parte armazenada nos silos. Porém, houve um problema logístico para a distribuição do produto devido ao bloqueio de barreiras nas estradas e queda de pontes no Rio Grande do Sul. No começo do mês, supermercados paulistanos passaram a limitar a compra de pacotes por cliente, mas uma associação de produtores gaúchos afirmou que essa decisão dos varejistas se devia apenas a uma expectativa de crise de oferta, que no momento não era realidade. Porém, a preocupação central do governo continua sendo o preço, que segundo a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, subiu 8,55% neste mês na modalidade em casca, enquanto os índices de inflação ainda não apontaram a variação ao consumidor. Nesta semana, o Ministério da Agricultura realizou um leilão para comprar 100 mil toneladas do Mercosul, mas os produtores dos países vizinhos ofertaram com 30% de sobrepreço, o que fez o ministro Carlos Fávero suspender a compra e avaliar fechar negócio com os tailandeses, o que seria mais demorado devido à logística. Mesmo que os produtores afirmem que não há crise de abastecimento, o governo precisa ficar atento, pois não se falou ainda se os 20% restantes da colheita resistiram às chuvas e fica a possibilidade do consumidor nos supermercados encontrar um preço mais caro – como o arroz já encareceu muito nos últimos anos, qualquer elevação vai pesar no bolso das famílias. Paralelamente, o governo deveria voltar a estudar a necessidade de estoques devido ao risco das instabilidades climáticas, pois muitas regiões do País estão sujeitas a temporais e secas, resultando em crise de oferta. A armazenagem por parte do governo é polêmica, pois na prática o setor público passa a lidar com preços de mercado, sabendo-se ainda que há muita limitação orçamentária na União.