(Alexsander Ferraz/AT) A economia não vai no ritmo que se esperava, mas segue em uma recuperação gradual, com crescimento robusto do mercado de trabalho, o que realmente interessa à população, enquanto a inflação segue controlada. O dólar, pressionado por fatores externos – os juros americanos – sobe, mas não chega a castigar o Brasil. Apesar desse clima econômico moderado, há uma tensão interminável no governo. As contas públicas preocupam, pois a pressão de gastos está no centro dos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, mesmo assim o problema central não é esse. A origem das dificuldades da atual gestão está em sua articulação política, que não consegue tomar proveito da ampla base formada no Congresso. Assim, a gestão petista fica exposta às estratégias da oposição, e ao próprio jogo de interesses do Parlamento e das parcelas da sociedade que têm influência em Brasília. E ainda ao fogo amigo, com disputas internas de poder. As críticas e mesmo o confronto são essenciais à democracia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Contudo, o governo precisa acelerar seu passo de forma harmônica para o bem do País. Não é a primeira vez neste governo que se diz que sua articulação falha e que agora o presidente vai participar dela diretamente. Lula sente o peso das circunstâncias atuais, que são bem diferentes em relação aos seus dois primeiros mandatos. Naquela época, o Executivo formava sua base por meio da coalizão de partidos, dividindo ministérios, cargos e emendas. Agora, o poder se moveu para o Legislativo, mais precisamente ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que influencia a distribuição de recursos aos parlamentares, e mantém rigor sobre o controle do trâmite dos projetos de interesse da situação e da oposição. Há uma dificuldade extra, que é a polarização, travando a negociação do Executivo com a oposição. As últimas eleições deram mais espaço à direita, o que complica ainda mais a vida do governo, cuja articulação precisa passar a contar mais com os líderes dos outros partidos da base. O líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), um governista, contou ao jornal Valor que seus colegas reclamam que não conseguem acesso aos ministros nem retorno de ligações. É normal em uma aliança haver queixas, pois há muita briga para ter força dentro do Executivo, cujos recursos são volumosos. Mas não se deve descuidar dos aliados. O que se tem notado é que o governo perde no voto nas pautas de costumes, temas valorizados pela direita, agora forte no Congresso, mas vai bem nos assuntos econômicos. Principalmente quando são prioritários ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Dessa forma, o Palácio do Planalto precisa dar mais espaço aos aliados, ouvindo as demandas regionais, com o presidente mais pragmático na economia. Principalmente em relação ao gasto público, que está em nível preocupante e, esse sim, pode se tornar um problema da vida real da população de grandes proporções.