O prédio da antiga escola Acácio tem valor internacional, que precisa ser reconhecido pelo poder público (Alexsander Ferraz/AT) Santistas do passado e os que conhecem um pouco da história de Santos acompanham e testemunham a deterioração do prédio da antiga Escola Acácio de Paula Leite Sampaio, na esquina da Avenida Senador Feijó e das ruas Braz Cubas e Sete de Setembro, na Vila Nova. A escola, ícone da arquitetura chamada brutalista dos anos 60, que se caracterizou pela ausência de revestimentos e uso intenso do concreto, teve seu projeto premiado internacionalmente, e por mais de cinco décadas se prestou a formar jovens em cursos profissionalizantes e de Magistério. Suas atividades foram encerradas em 2013 e, de lá para cá, há um périplo de transferências de posse e responsabilidade que, até agora, não resultaram em nada. Primeiro, foi a assinatura de parceria com o Centro Paula Souza, do Governo do Estado, para que ali instalasse novos cursos técnicos. Em 2019, sem que nada tivesse saído do papel, a Prefeitura transferiu o imóvel para a Câmara de Santos, que tinha a intenção de criar a Escola do Legislativo e Cidadania. Depois de cinco anos e com status zero de obra, o Legislativo intencionou devolver o ‘elefante branco’ à Prefeitura, que recusou. Volta, agora, o desejo de montar o curso e abrir as vagas para a população. O imóvel é tombado pelo órgão municipal de preservação arquitetônica, condição que dificulta e encarece qualquer obra de restauro, é verdade, mas a conta vai ficando mais alta conforme o tempo passa. Basta transitar pela calçada daquela quadra para verificar o estado em que todo o prédio de três andares se encontra, com ferrugem, janelas quebradas e o crescimento de limo em suas paredes. Quem teve a oportunidade de estudar na unidade educacional sabe da riqueza arquitetônica de seu interior, com ambientes projetados para depender menos de refrigeração artificial e mais da ventilação natural. Há, ainda, anfiteatro, laboratórios e salas de aula em formato diferenciado, com fileiras de carteiras em desnível como em um auditório. José Maria de Macedo Filho, arquiteto santista e professor universitário, disse em entrevista para A Tribuna que a “arquitetura é um ativo das cidades” e essa definição se aplica plenamente ao prédio da Acácio, projetado pelo renomado arquiteto Decio Tozzi, hoje com 88 anos e ainda premiado internacionalmente por suas obras arrojadas, como Parque Villa Lobos, na Capital. É preciso pensar em soluções viáveis para o prédio e uma delas pode ser abrigar repartições públicas da própria Prefeitura que hoje ocupam imóveis alugados. O bairro onde está situado, a Vila Nova, tem carência de equipamentos de saúde, por exemplo, e uma solução poderia ser destinar parte de seus espaços para essa finalidade. O inaceitável é cruzar os braços e renovar promessas feitas há anos que ainda dormem na gaveta. Se a arquitetura é um ativo das cidades, o prédio da antiga escola Acácio mostra que, em Santos, esse ativo não está sendo bem cuidado.