(Arquivo/ AT) O relatório da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, divulgado em A Tribuna, ontem, traz um preocupante alerta sobre o impacto do aquecimento do planeta, com dados mais precisos sobre desastres climáticos registrados no País nas últimas décadas. O estudo da aliança, parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Unesco e Fundação Boticário, identificou que a cada elevação de 0,1°C da temperatura do ar entre 2020 e 2023, houve uma alta de 360 eventos extremos no País. Na superfície oceânica, a cada acréscimo de 0,1°C, foram mais 584 registros. São secas, inundações, enxurradas e tempestades, fenômenos identificados em 92% das cidades brasileiras. Os mais céticos costumam afirmar que eles sempre ocorreram – porém, agora estão mais constantes, agressivos e extremos. Basta citar o Rio Grande do Sul, tomado pelas chuvas incessantes não apenas entre maio e junho últimos, mas em outros meses do ano anterior. Por exemplo, o Vale do Taquari, região gaúcha também atingida neste ano, já havia sido devastado antes, em setembro de 2023, com 54 mortos e quatro desaparecidos, segundo o portal g1. As próximas etapas desse levantamento contemplarão a Baixada Santista, pesquisando a intensidade das chuvas em fevereiro. A região tem sido observada com atenção pelos institutos científicos pela expectativa de subida do nível dos mares, de desastroso impacto caso se concretize. Trata-se de um problema mundial, pois a maioria da população está concentrada nas regiões costeiras, inclusive com muitos países insulares sob risco de sumir. Além das perdas materiais, haveria uma onda de imigrações na casa das centenas de milhões de refugiados climáticos. Isso potencialmente poderia gerar grandes tensões políticas, econômicas e de insegurança alimentar, pois o deslocamento de habitantes, seca e chuvas tenderiam a gerar fome de forma disseminada. Apesar de ser uma meta desacreditada devido aos impasses entre os países, a esperança está centrada no esforço de limitar o aumento do aquecimento do planeta a 1,5°C em relação à temperatura média da era pré-industrial, conforme o Acordo de Paris. Porém, é possível, em caso de fracasso, que esse avanço chegue a 4°C. Conforme o estudo da aliança, no cenário mais otimista (1,5°C), o País teria 128,6 mil desastres climáticos entre 2024 e 2050. No pessimista (4°C), seriam 600 mil registros – de 1991 a 2023 foram 66 mil. A importância de estudos nessa linha, conforme lembra a reportagem, é permitir às cidades costeiras investirem em iniciativas que poderão amenizar o impacto climático em seus territórios, protegendo vegetações locais, como o mangue. Mas também é necessário adotar medidas amplas, que efetivamente reduzam o efeito estufa, o que exige acelerar a transição para fontes limpas de energia. Para isso, é preciso destravar investimentos mundiais que financiem essas mudanças.