As fortes rajadas de vento em duas semanas seguidas, a última, na sexta-feira passada, impressionaram pela repetição em curto período, pelos estragos e pelo susto na população. As circunstâncias desses fenômenos ainda serão estudadas pelos cientistas, entretanto, deve-se registrar o interesse com que foram acompanhados pela sociedade, atraindo maior atenção às medidas de prevenção. Muitas cidades suspenderam as aulas, influenciadores pediram para que os seguidores ficassem em casa e o alerta da defesa civil recebeu muita visibilidade no noticiário e nas reproduções nas redes sociais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Porém, ainda não se sabe qual é a real capacidade de reação do poder público para fazer frente às novas calamidades. Até porque, se trata de um processo muito complexo, por envolver prevenção, socorro e reparo dos estragos. Isso envolve muito dinheiro, planejamento, ao contrário do improviso, e uma diversidade de profissionais que vão entrar em ação. Não é possível evitar situações catastróficas, pois são devastadoras até em países acostumados com terremotos e furacões. Mas se percebe que medidas preventivas reduzem o número de vítimas em situações de alta capacidade destrutiva. O Japão é famoso por suas construções preparadas para tremores de alta magnitude, enquanto Turquia e Venezuela registraram muitos óbitos sob os escombros de edifícios que se desmancharam rapidamente. Além disso, as nações mais experientes com tragédias também contam com brigadas de voluntários, além das crianças nas escolas e funcionários nas empresas que aprendem a agir nas emergências. A preparação encontra outro desafio, as mudanças climáticas, causando fenômenos em intensidades mais acentuadas do que no passado. Alguns especialistas dizem que os ciclones começaram a ser identificados na Região Sul há 20 anos, e as notícias recentes indicam que, ao longo dos anos, as chuvas ficaram mais intensas. Grandes áreas urbanas e cidades que não investiram na drenagem, assim como populações morando em encostas, reflexo do déficit habitacional, colaboram para piorar os reflexos das enxurradas e enchentes. Portanto, a preparação exige investir mais recursos públicos em infraestrutura urbana. Porém, os governos Federal, estaduais e municipais têm orçamentos com baixíssima margem para bancar esses gastos. E quando algo começa a sair do papel, as obras são demoradas e o dinheiro previsto se torna insuficiente. Por exemplo, na Grande São Paulo, as cheias chegaram no tempo previsto, mas a construção dos piscinões atrasou, e inundações resultaram em perdas aos moradores. A preocupação da população e o interesse das autoridades por medidas preventivas são animadores, mas esse trabalho precisa ter continuidade, porque os extremos climáticos vão se multiplicar. Não se pode conformar com eventuais resultados trágicos das calamidades, sendo fundamental que a classe política local e a de Brasília sejam mais ágeis com as soluções que o setor público deverá tomar.