[[legacy_image_252856]] Enquanto as chuvas intensas e seus impactos dominam o noticiário, os reservatórios das hidrelétricas atingem níveis elevados, descartando riscos de crise energética, como a da década passada e a do início dos anos 2020. Do lado do agronegócio, a água abundante vai garantir mais um recorde, depois da seca do período 2021/2022. A expectativa é de uma produção de três colheitas por ano, algo muito difícil em outros países, principalmente nas potências agrícolas com invernos rigorosos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, não se deve se iludir em tempos de mudanças climáticas. Apesar das chuvas abundantes, elas não pegam todo o território nacional. Há uma seca severa que atinge neste momento o Rio Grande do Sul e que se estende até a Argentina, onde se prevê uma recessão não só pelos juros altos no mundo ou pela crise econômica local, mas também pela falta de chuva nos Pampas. A previsão é de que a já combalida economia argentina deve se retrair 3% (no Brasil, as estatísticas são de expansão entre 0,5% e 1%). Por isso, é preciso dar mais atenção à destruição do meio ambiente – os alertas de desmatamento na Amazônia e no cerrado cresceram em fevereiro em relação aos de igual mês do ano passado e já são os maiores desde 2015 (na Amazônia) e 2018 (cerrado). Sem mais medidas de combate à destruição dos biomas, os impactos nas zonas urbanas e na produção agrícola deverão gerar transtornos em níveis nunca antes vistos e preocupantes efeitos sociais e econômicos. Na Argentina, ondas de calor terrível e falta de água nos Pampas atingem o atual estágio, que deveria ser de crescimento, das plantações de soja e milho. Para o país, é o pior contexto para suas exportações, lembrando que os argentinos são líderes mundiais em farelo para ração animal, óleo de soja para uso na cozinha e biocombustíveis, além de serem os terceiros maiores produtores de milho. Sem essa receita de venda externa, é esperado que o país aprofunde a falta de dólares para honrar seus compromissos na moeda, como dívida externa e importações. Devido à seca no Rio Grande do Sul, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revisaram para baixo suas previsões de safra nacional, que ainda são de recorde, mas agora com números inferiores. Por exemplo, a Conab diz que a colheita de soja no período 2022/2023 será de 151,4 milhões de toneladas e não de 152,9 milhões, como se esperava. No caso do arroz gaúcho, a estimativa é de uma quantidade 8,4% inferior à do ano passado, indicando risco de alta dos preços. A lição que fica é que não se deve se acomodar com a bonança no campo na maior parte do País. As mudanças climáticas já deixam uma série de exemplos concretos e as medidas de combate ao uso de energias fósseis precisam ser aceleradas, assim como é fundamental ampliar a sustentabilidade no consumo da sociedade e nos processos de produção de toda a economia.