(FreePik) A redução do analfabetismo para 4,9%, no ano passado, o melhor resultado na história do País, é uma das mais importantes conquistas socioeconômicas nas últimas décadas, conforme revelou na última sexta-feira a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) da Educação, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, o levantamento aponta que a parcela dos que não sabem ler nem escrever está concentrada no Nordeste e Norte, entre os maiores de 60 anos e negros nessa faixa etária. Se por um lado o esforço educacional realizado desde o Governo Fernando Henrique Cardoso, de levar toda a criança à escola, persistiu e beneficiou as gerações mais novas, por outro há muito a ser feito por parcelas específicas da população. Para enfrentar essa desigualdade, é preciso desenvolver programas específicos, envolvendo principalmente as prefeituras, que estão mais próximas desse público. Apesar da redução do analfabetismo impressionar, ainda há 8,4 milhões de brasileiros, maiores de 15 anos, nessa situação. Na verdade, considerando-se o porte econômico do País, essa condição deveria ter sido erradicada. Aliás, no detalhamento da pesquisa, o IBGE não menciona a qualidade da alfabetização dos outros 95,1% brasileiros. Estudos já divulgados e também o acompanhamento de postagens nas redes sociais, na confecção de textos corriqueiros e nas redações de vestibulares e concursos percebe-se que ainda há muita gente com muitas dificuldades para escrever corretamente ou compreender textos bem elaborados. Também há carências socioeco-nômicas que perpetuam as falhas na leitura e na escrita. Por exemplo, a pesquisa do IBGE apontou que o analfabetismo de pretos e pardos acima dos 60 anos é de 20,6%, frente aos 7,3% entre os brancos. Já entre os 15 e 17 anos, o percentual dos pretos e pardos que frequenta escola é respectivamente de 77,8% e, entre os brancos, de 84,9%. No caso das mulheres, a gravidez é considerada o principal motivo para deixar de estudar por 24,7% das mulheres que abandonaram a escola, enquanto 28,1% das mães relataram não haver creches para seus filhos. Segundo a especialista em educação da Fundação Getúlio Vargas, Cláudia Costin, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, as melhoras recentes têm relação com o ensino integral, com o qual o período mais prolongado na sala de aula permite aperfeiçoar o que foi ensinado, como um reforço escolar. Ela defende o ensino noturno somente para adultos, pois para jovens o tempo para aprender é curto, principalmente nas sextas-feiras, estimulando a evasão. Portanto, o País implantou um sistema educacional que atende quase todas as crianças e adolescentes, apesar de haver abandono, e criou um piso nacional para professores. Agora, falta um salto de qualidade em todo o território nacional, um caminho que os políticos gostam de mencionar na campanha eleitoral, mas que uma vez no poder não o aplicam.