[[legacy_image_209757]] A convocação de 300 mil reservistas e a ameaça de utilizar o arsenal nuclear, com o alerta de que não se trata de blefe, significam um esforço do presidente Vladimir Putin para convencer o mundo de que não vai perder a guerra, como tudo indica. Esse movimento dele é muito perigoso não só para os ucranianos e o povo da própria Rússia, como para os europeus e o mundo todo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A crise é tão séria que a Índia e a China, que se aproximaram da Rússia, parecem agora irritadas com essa invasão demorada. Os Estados Unidos veem vantagens em um prolongamento da guerra, uma forma de exaurir o Kremlin, tal como o presidente norte-americano Ronald Reagan fez nos anos 1980, estimulando a União Soviética a ampliar seus gastos militares (no Afeganistão, por exemplo). Os EUA tentam ainda reduzir a influência russa nas Nações Unidas, um organismo com limitações para evitar guerras e resolver grandes dilemas, como o ambiental, mas que continua como um importante canal de negociação e de aproximação das nações. Nesse esforço, o Governo Biden retomou a discussão sobre aumentar o número de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, hoje composto de cinco países (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) com poderes de veto. Uma mudança que tende a beneficiar o Brasil, que, há quatro décadas, reivindica reforma no colegiado. A ideia seria dar mais voz à África, América Latina e Ásia, onde os americanos têm muitos aliados. Isso é difícil de sair do papel, mas, se ocorrer, o Brasil terá que ser competente com sua diplomacia, cuja tradição de neutralidade poderá ser vista como omissão. A duração da guerra da Ucrânia depende da figura de Putin. Observando de fora do país, é difícil concluir até que ponto ele controla as rédeas atualmente. O anúncio da convocação de reservistas gerou uma onda de fuga de jovens da Rússia e prisões de manifestantes nas ruas, prova de que a aventura russa na Ucrânia já traz sofrimento. O presidente da Ucrânia, Vlodymyr Zelensky, diz que 55 mil soldados russos já morreram desde o começo da invasão, em 24 de fevereiro. O número não é confiável, mas, para comparação, a URSS teria perdido estimados 15 mil militares em uma década na ocupação do Afeganistão. Os EUA, 58 mil no Vietnã. Segundo a imprensa internacional e o Estadão, artistas e oligarcas estão irritados e alguns já criticam o presidente russo, que, do outro lado, é pressionado por aliados extremistas insatisfeitos que cobram uma guerra total. Por isso, o Kremlin só vê uma opção: a vitória, seja qual for. Entretanto, a Ucrânia, muito bem liderada por Zelensky, com a ajuda ocidental, continua avançando. A estratégia russa é oficializar, via referendos nada confiáveis, a anexação de territórios do leste. Se forem atacados, por serem considerados solo russo, poderá haver a justificativa para resposta em larga escala. Eis o perigo que o Ocidente precisa evitar.